terça-feira, 23 de outubro de 2018

OS IMPERADORES DE ROMA 

OTÁVIO

Otávio Augusto, o primeiro.
Gaius Octavianus nasceu em 23 de setembro de 63 a.C., filho do pretor Gaiuus Octavius e de Átia, sobrinha de Júlio César. Aos 18 anos, acompanhou César na campanha contra os filhos de Pompeu na Espanha. Em seu posto como comandante da 10a Cavalaria, o jovem teve papel decisivo na vitória, o que lhe valeu a atenção do tio-avô. Na volta para Roma, César ensinou-lhe os caminhos da política e do populismo. Em pouco tempo, Otávio foi enviado à Macedônia para continuar seus estudos. César adotou oficialmente o jovem e ambos iriam partir em campanha contra o Império Persa. Mesmo nunca tendo ocupado nenhum cargo público e ainda com menos de 20 anos, Otávio já tinha assegurado a segunda maior posição em Roma.
Com a morte de Júlio César em março de 44 a.C, Otávio voltou da Macedônia para garantir sua herança: três quartos das posses de César. Mas haveria mais, caso ele conseguisse a simpatia do povo e das legiões. O processo de aproximação ao poder foi tenso, com Marco António tentando ignorar a presença de Otávio em Roma. A partir de abril, Otávio passou a usar o nome Gaius Julius Caesar. No mesmo ano, ele ainda descobriu que sua amada, Livia Drusilla, havia se casado com Tiberius Nero, com quem teria um filho, Tiberius.
O Senado pendeu para o lado de Otávio, acreditando que o jovem seria facilmente manipulado. Para os senadores, o verdadeiro perigo para a República era Marco António e, embora ele e Lepidus estivessem reunindo legiões na Espanha enquanto Agrippa e Maecenas, amigos de Otávio, reuniam tropas na Macedônia, a guerra não era de interesse de ninguém.
O Segundo Triunvirato dividiu os territórios romanos entre Otávio, Marco António e Lepidus, dando aos três o status de ditadores e poder para sobrepujar o Senado a qualquer momento. Como prova de poder, o trio promoveu um expurgo, votando pela volta das temidas proscrições, assinando a sentença de morte de 300 senadores e milhares de outros cidadãos por motivos que iam de oposição política a simples confisco das posses dos condenados. O golpe final foi a morte de Brutus e Cassius, assassinos de César, nas batalhas de Philipi. A derrota deles foi o último suspiro da República Romana.
Em Roma, Lepidus usou seu cargo como Pontifex Maximus para declarar Júlio César um deus, o que levou Otávio a se auto-intitular “O Filho de Deus”. Os ânimos entre Marco António e Otávio eram apaziguados por Lepidus. Mesmo em meio a disputas entre os membros do Triunvirato e elementos externos, como Sextus Rompeu, e a preparação da campanha contra os persas, a reputação de Otávio era cada vez maior. Seu primeiro golpe contra o Triunvirato foi no elo mais fraco. Após a vitória sobre as forças navais de Sextus e a tomada da Sicília, Lepidus tentou assimilar as forças vencidas. Para Otávio, essa foi a deixa para destituí-lo do poder e tomar suas 18 legiões.
Na Roma Antiga, o termo latino Pontifex Maximus (“Sumo Pontífice”) designava o sumo sacerdote do colégio dos Pontífices, a mais alta dignidade na religião romana. Até 254 a.C., quando um plebeu foi designado para o cargo, somente patrícios podiam ocupá-lo. De início um posto religioso durante a República, foi gradualmente politizado até ser incorporado pelo imperador, a partir de César Augusto.
Cônsul (do latim consule) era o magistrado supremo na república romana. Na república romana, em número de dois, os cônsules eram os mais importantes magistrados; comandavam o exército, convocavam o Senado, presidiam os cultos públicos e, em épocas de “calamidade pública” (derrotas militares, revoltas dos plebeus ou catástrofes), indicavam o ditador que seria referendado pelo Senado e teria poderes absolutos por seis meses.Durante o Império Romano, o consulado, despido de poderes reais, tornou-se uma magistratura puramente honorífica e que exigia gastos enormes na realização de jogos, mas ainda abria caminho para certos cargos efetivos, como o exercício de certos governos provinciais (proconsulado). Com a divisão do Império, os cônsules (que continuavam a dar nome ao ano), passaram a ser cada um escolhido por um dos imperadores (o do Ocidente e do Oriente), até que Justiniano aboliu a magistratura em 541 da era cristã.  
Pax Romana, expressão latina para “a paz romana”, é o longo período de relativa paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano. Iniciou-se quando Augusto César, em 29 a.C., declarou o fim das guerras civis e durou até o ano da morte de Marco Aurélio, em 180.
Em 36 a.C., vários fatores levavam a uma iminente guerra entre Marco António e Otávio. O primeiro, ainda casado com a irmã do segundo, teve um filho com Cleópatra e passou a dominar o leste romano. A idéia era colocar os herdeiros no poder, mas Otávio consolidou sua popularidade no resto dos territórios, criando uma imagem anti-romana de Marco Antônio.
Sabiamente, Otávio declarou guerra a Cleópatra, esperando que António fosse ao auxílio da amada. Ao mesmo tempo em que a guerra se anunciava e os exércitos se posicionavam, Otávio atrasava seu início manobrando a armada naval e ganhando mais apoio do Senado. Encurralado, Marco António tentou furar o bloqueio marítimo, mas foi derrotado sumariamente na Batalha de Actium. Em terra, seus exércitos se renderam. Após 20 anos de guerra civil, Otávio, finalmente, era o único soberano político de Roma.
Cleópatra VII Thea Filopator (Alexandria, Dezembro de 70 a.C. ou Janeiro de 69 a.C. – 12 de Agosto? de 30 a.C.) foi a última farani (feminino de faraó) e rainha da dinastia ptolomaica (oriunda da Macedônia) que dominou o Egito após os gregos terem invadido aquele país. Era filha de Ptolomeu XII e de mãe desconhecida. O nome Cleópatra é grego e significa “Glória do pai”; o seu nome completo, “Cleópatra Thea Filopator” significa “A Deusa Cleópatra, Amada de Seu Pai”. É uma das mulheres mais conhecidas da história da humanidade e um dos governantes mais famosos do Antigo Egipto, sendo conhecida apenas por Cleópatra, ainda que tivessem existido outras Cleópatras a precedê-la, que permanecem desconhecidas do grande público. Nunca foi a detentora única do poder no seu país – de fato co-governou sempre com um homem ao seu lado: o seu pai, o seu irmão (com quem casaria mais tarde por sugestão de Júlio César, então seu amante) e, depois, com o seu filho. Contudo, em todos estes casos, os seus companheiros eram apenas reis titularmente, mantendo ela a autoridade de fato.
Otávio percebeu que a República Romana estava no fim, mas não se deixou levar imediatamente pelas honrarias da vitória. Em um trabalho contínuo de reconstrução e confiança, serviu como cônsul de 31 a 23 a.C. No campo militar, os laços de lealdade foram reformados, com o Estado mantendo 28 legiões próprias. Em 27 a.C., ele usou uma estratégia inédita. Declarando estar disposto a se aposentar da vida pública, o povo e o Senado em coro pediram que ele reconsiderasse. Sua saída poderia causar sérios distúrbios e guerras civis. Com isso, novos poderes e um outro título foram concedidos: Augustus. Otávio passou a ser chamado de Imperator Caesar Augustus. É bom lembrar que o título “Imperator” não é o mesmo que “Imperador”. O primeiro era um título mais similar a “Comandante”. Outras honrarias sucederam-se, como Princeps, que o colocava acima de todos os cidadãos romanos e, com a morte de Lepidus, Pontifex Maximus. O poder de Augustus era supremo, com direito a veto em qualquer matéria. Em 2 a.C., Augustus também foi nomeado Pater Patríae, o Pai da Pátria, como César.
Augustus promoveu a duradoura Pax Romana por meio de um misto de prudência e audácia. O exército não era mais de propriedade privada ou sujeito a reveses políticos. O sistema tributário foi reajustado e Roma foi praticamente reformada. As artes foram privilegiadas, a moral foi resgatada e a tranqüilidade civil restaurada. O casamento de Augustus com Lívia durou 52 anos e seu sucessor seria Tiberius. Ele regeu Roma e o Império por mais de 40 anos e, apesar de alguns tropeços econômicos, elevou a prosperidade e manteve a paz como nenhum outro antes ou depois dele.
Augustus e Lívia não tiveram filhos. Do primeiro casamento, ela trouxe Tibério, que foi adotado por Augustus. O rapaz, então, unia duas das mais tradicionais famílias patrícias: Júlia e Cláudia. Os sucessores imediatos de Tibério teriam o nome dos dois clãs, com Calígula (37-41) e Nero (54-68), filhos do primeiro casamento de Julia Caesaris com Nero Claudius Drusus, irmão de Tibério; e Claudius (41-54), filho de Octavia, irmã de Augustus. A dinastia Júlio-claudiana regeu o Império Romano de 27 a.C. a 68.

A DINASTIA JÚLIO-CLAUDIANA

TIBÉRIO (14-37)

Tibério, o perturbado.
Tibério, o perturbado.
Tiberius Claudius Nero nasceu em 16 de novembro de 42 a.C., filho de Tibério Nero e Livia Drusilla. De família tradicional e rica, o futuro de Tibério já estava aliado à vida pública. Quando o garoto tinha apenas 3 anos, sua mãe divorciou-se e casou-se com Augustus, uma paixão antiga. Tibério foi adotado e tornou-se herdeiro do Império Romano. Desde cedo; Augustus impeliu o jovem a posicionamentos e cargos públicos de importância, como na Batalha de Actium, na campanha contra os persas; o questorado aos 17 anos; e o consulado 5 anos antes da idade permitida.
Ao retornar do Oriente, foi eleito cônsul, em 13 a.C. e casou-se com Vipsania Agrippina, filha de Marcus Vipsanius Agrippa, aliado de longa data de Augustus. O casamento, assim como o de sua mãe com Augustus, era baseado em afeto e não só em interesses futuros. Mas, quando Marcus Agrippa morreu, em 12 a.C., Tibério foi obrigado por Augustus a tomar a viúva Julia Caesaris como esposa, em uma união sem amor. As campanhas de Tibério ao lado de seu irmão Nero Claudius Drusus nos Alpes foram bem-sucedidas. Entre 12 e 6 a.C., Tibério comandou as forças de expansão, principalmente na Germânia. Apesar de vitoriosas, as campanhas dele tinham um ranso de tristeza.
Os eventos levavam Tibério cada vez mais ao centro do poder. Se antes da morte de Agrippa, o jovem já era cotado como sucessor de Augustus, naquele momento, casado com Julia, a sucessão era certa. Para surpresa geral, Tibério retirou-se para a ilha de Rodes em 6 a.C., quase como um auto-exílio. Essa atitude colocou-o em desgraça perante Augustus, que, após isso, nunca mais teve o mesmo carinho pelo enteado. É possível que Tibério só tenha escapado de uma execução sumária por conta de sua mãe. Mesmo aceitando-o novamente em Roma, Augustus não planejava mais que Tibério fosse seu sucessor, confiando muito mais nos filhos de Agrippa, Lucius e Gaius Caesar. Mas Lucius morreu em Massilia e, logo em seguida, Gaius Caesar foi ferido mortalmente em combate. Tibério voltou a ser o único nome disponível, mas Augustus não queria dar chance ao destino e adotou também Postumus Agrippa, o último filho de Agrippa, e forçou Tibério a adotar Germanicus. Assim, o Principado estaria assegurado e, talvez, novas tragédias não destruíssem toda a linha sucessória de Augustus.
Por dez anos, Tibério foi o braço direito de Augustus. A morte do soberano em 19 de agosto do ano 14 não foi surpresa e a posse de Tibério, apenas uma conseqüência prevista. O engajamento do novo governante de Roma não podia ser mais insólito. Sendo esta a primeira sucessão após a queda da República, ninguém parecia ter muita certeza de como proceder. Tibério atendeu às solenidades de deificação de Augustus e outras, onde o Senado lhe ofereceu as honrarias devidas a um sucessor de Augustus. Não se sabe se Tibério tentou imitar o padrasto, mas o fato é que o novo soberano refutou algumas das honrarias, como a Pater Patriae e as responsabilidades do principado.
O Senado, sem saber como proceder, tentou contornar a situação enquanto em outros rincões, como as legiões em Pannonia e Germânia, levantavam-se revoltas. Tibério enviou seus dois filhos, Drusus e Germanicus, para resolver os problemas. As legiões pediam a queda de Tibério e a posse de Germanicus, que precisou de muita dissuasão política para contornar a situação. Em um plano mais geral, os primeiros anos de Tibério como regente foram pacíficos. O novo imperador seguiu os passos de Augustus, assegurando os poderes de Roma, expandindo o Império e atendendo aos desígnios do povo e do Senado. Para a população, Germanicus era o melhor sucessor possível, e Tibério parecia concordar, dando glórias e novos postos de comando para o sobrinho em detrimento do filho, Drusus. Mesmo com o apoio explícito a Germanicus, Tibério foi acusado da morte do jovem. Porém, os fatos nunca foram provados.
A partir daí, Tibério desenvolveu uma paranóia constante que o levou à reclusão. Em muito, o mentor desse afastamento foi Lucius Aelius Sejanus, chefe da Guarda Pretoriana, que alimentou Tibério com teorias conspiratórias cada vez mais complexas. É provável que Sejanus tenha planejado a morte de Drusus em 23 e que isso tenha sido o começo do fim da linhagem Júlio-claudiana. O soberano, bastante manipulado por Sejanus, permitiu que o amigo ganhasse cada vez mais terreno na política.
Tibério, que nunca havia demonstrado sede pelo poder, preferiu retirar-se da vida pública em 26, isolando-se na Ilha de Capri e deixando o posto temporariamente nas mãos gananciosas de Sejanus. Enquanto isso, Agrippina, viúva de Germanicus e neta de Augustus, tentava fortalecer seus filhos (Calígula, Nero e Drusus) como sucessores e fazer frente ao usurpador Sejanus.
A ausência de Tibério quase determinou o fim da linhagem Júlio-claudiana. Drusus, Agrippina e Nero Caesar morreram coagidos ao suicídio ou de fome, exilados. Sejanus controlava o acesso do Senado a Tibério em Capri, onde o jovem Calígula lhe fazia companhia. Tibério promovia uma caça às bruxas por toda a cidade de Roma, compelido apenas pelas acusações de Sejanus. O poder de Sejanus e sua manipulação política quase fizeram Tibério nomeá-lo tribuno e co-imperador, mas Antonia Minor, a cunhada viúva de Tibério, despertou o Imperador sonolento em 31, com uma carta denunciando Sejanus. O impostor foi executado antes do final daquele ano. Um expurgo seguiu-se, amplificado pela paranóia de Tibério.
Nos anos finais do reinado de Tibério, foram eliminados vários traidores, fossem eles culpados ou não. Tibério nunca mais pisaria em Roma nos últimos 23 anos de regência e muitos de seus atos seriam descritos depois por historiadores como pífios. Ultimamente, Tibério tem sido resgatado como um regente satisfatório que deu prosseguimento aos desígnios de Augustus, entre eles a não-expansão e a continuidade da Pax Romana. Ele deixou clara sua vontade de que o Império fosse regido em conjunto por seu sobrinho Calígula e seu neto Gemellus.

CALÍGULA (37-41)

Caligula, o depravado
Calígula, o depravado
Nascido em 31 de agosto de 12, Gaius Julius Caesar Germanicus, ou Calígula, representou o ápice do desleixo com o Império Romano. Enquanto para Augustus era importante manter uma ilusão de que a República ainda tinha certo poder, Tíbério, ao deixar Sejanus subir tanto, foi obrigado a mostrar que seu posto era absoluto para abafar as conspirações.
Outro ponto negativo de Tibério, que despontou explicitamente em Calígula, foi a falta de preparo dos sucessores. O principado, cuidadosamente elaborado por Augustus, preparando os próximos soberanos de Roma, foi relegado ao segundo plano na regência de Tibério, trazendo péssimas conseqüências futuras. A falta de habilidade para governar ficou evidente já nos primeiros anos de Calígula como regente. Ainda garoto, era chamado de “botinhas” pelos legionários acampados na Germânia, que o tinham como mascote. O apelido vinha de seu costume de andar fantasiado de legionário desde criança. Calígula, em latim, significa “pequenas botas do soldado”.
Os curtos quatro anos de Calígula no poder foram documentados e mostram, principalmente, caprichos e sandices que o fizeram conhecido como um completo déspota. Cruel e indigno de confiança, colocou Roma em um período de promiscuidade e desmando, mantendo casos amorosos com suas próprias irmãs e deixando as legiões romanas em maus lençóis. Em uma invasão à Bretanha, mudou de idéia na última hora e ordenou que seus legionários “atacassem o mar” e colhessem conchas nas praias da França. As conchas foram levadas para Roma como saques de guerra.
Após a morte de Tibério, Calígula começou a praticar cada vez mais loucuras. Um de seus primeiros atos foi ordenar a morte do primo Tibério Gemellus, seu co-regente. Aos olhos do público, Calígula era um bom imperador, cancelando os exílios e processos de traição instaurados por seu avô, ajudando endividados pelas taxas e sendo um sucessor direto de Augustus e Julius Caesar, filho do bem-amado Germanicus.
As fontes históricas divergem sobre os motivos da loucura de Calígula, colocando em pauta um sem-número de incongruências autocráticas promovidas por ele. A mais conhecida talvez seja a idéia de fazer seu cavalo um membro do Senado e, depois, cônsul. Assim como Tibério, as fontes históricas são escassas, e todas são unânimes em evidenciar a inteligência ímpar do jovem imperador. Para historiadores modernos, Calígula pode não ter enlouquecido, mas perdido o controle sobre seus atos de forma sarcástica. Como um jovem com todo o poder disponível em suas mãos. Talvez tenha deixado seu bom humor reger, clamando para que as classes abaixo dele percebessem a insensatez de depositar tanto poder em apenas uma pessoa.
Os atos incontroláveis dele revelaram a verdade que ainda estava escondida sob o reinado de Tibério: Augusto havia instaurado uma monarquia autocrática, em que o soberano do Império tinha plenos poderes. Para a aristocracia, esse tipo de atitude era imperdoável e extremamente perigosa. A única forma de parar os abusos de um imperador romano seria seu assassinato, coisa que se tornaria praxe depois de Calígula. A vida pregressa de Calígula pode tê-lo ensinado a ver além dos padrões normais, e não foi por acaso que ele foi o único da linhagem a sobreviver. Por isso, sua visão para conspirações era um misto de paranóia e esperteza. O comandante das legiões na Germânia, Gnaeus Lentulus Gaetilicus foi descoberto quando ainda esboçava um motim das legiões contra o imperador. Até então, ninguém sabia ao certo porque o governante fez questão de se deslocar pessoalmente para o norte.
Calígula morreu aos 28 anos, assassinado por Cassius Chaerea, um antigo oficial que servira Germanicus. As razões são obscuras, mas parecem puramente pessoais. A esposa Caesonia e a filha Julia Drusilla também foram assassinadas. Ainda há suspeitas de que Cláudio, o sucessor, tenha desempenhado algum papel na morte do sobrinho. Fato é que Chaerea era oficial da Guarda Pretoriana e que Claudius foi nomeado imperador pela própria Guarda.

CLÁUDIO (41-54)

Cláudio, o "deformado"
Cláudio, o deformado
Nascido Tiberius Claudius Drusus Nero Germanicus, Cláudio mudou seu nome para Tiberius Claudius Nero Caesar Drusus quando assumiu o posto de quarto imperador de Roma. Era um figura ímpar. Gago e coxo desde a infância, a família tentava ao máximo deixá-lo à margem da vida pública. Mas ele foi alçado ao posto de cônsul por Calígula em 37, talvez em mais um sinal de deboche ao Império.
A reclusão favoreceu o lado intelectual de Cláudio, que se tornou um grande historiador. Escreveu 43 livros sobre o Império Romano, 20 sobre o Império Etrusco e outros 8 sobre os cartagineses. O valor real desse esforço nunca poderá ser medido, pois as obras foram perdidas. A falta de sucessores e o torvelinho em que se encontrava a nobreza romana à época levaram Cláudio ao poder. Com a morte de Calígula, assassinado por um membro da Guarda Pretoriana, o Senado ficou de mãos atadas quando a própria Guarda proclamou Cláudio imperador. Essa entrada, por assim dizer, forcada, fez com que o novo imperador não fosse visto com bons olhos por todos.
Esperava-se uma performance pífia e bondosa de Cláudio, mas sua passagem pelo poder teve grandes vitórias. A mais expressiva foi a tomada final da Bretanha em 47, após décadas de combate, domínio romano na ilha duraria mais 350 anos. Cláudio foi o primeiro imperador romano a receber o título de Caesar. Como o título “Imperador” é uma invenção prática de tempos mais contemporâneos, até a ocasião o soberano de Roma era chamado pelo nome ou por um de seus títulos (Pater Patríae, por exemplo). César transformou-se em um título pelo qual os mais altos comandantes da nação romana passaram a ser chamados desde então. Cláudio morreu naturalmente aos 64 anos.

NERO (54-69)

Nero, o louco
Nero, o louco
Lucius Domitius Ahenobarbus nasceu em 15 de dezembro de 37, filho de Agrippina, a Jovem, irmã de Calígula, e Gnaeus Domitius Ahenobarbus. Agrippina casaria-se depois com seu tio Cláudio. Adotando o nome de Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus e mais conhecido como Nero, foi o último membro da dinastia Júlio-claudiana. Sua subida ao poder foi uma sucessão de desencontros e mortes prematuras. Quando nasceu, seu tio Calígula regia o Império aos 25 anos e não se esperava que o jovem regente morresse tão cedo, uma vez que seus antecessores haviam chegado perto dos 80 anos.
Segundo historiadores, como Suetonius e Tacitus, as relações íntimas entre Calígula e suas irmãs Drusilla, Agrippina e Julia Livilla, assegurariam a sucessão de seus próprios filhos. Os outros concorrentes ao posto de Augusto eram seus tios por parte de mãe. Com Calígula morrendo sem deixar filhos e expurgando suas irmãs traidoras e outros próximos ao trono, o caminho para Lucius estava aberto. Cláudio trouxe Agrippina e Livilla de volta do exílio, casou-se com a primeira e adotou Lucius sob o nome de Nero Claudius Caesar Drusus.
Aos 17 anos, com a morte de Cláudio, Nero tornou-se o mais jovem imperador de Roma. Os primeiros anos de regência foram expressivos, com o rapaz tendo ao seu lado a mãe e os dois tutores, Sêneca e Burrus. Mas problemas pessoais acabaram por influenciar nos negócios de Estado. Sexo, violência e conspirações seguiram-se. Britannicus foi envenenado, Agrippina foi assassinada, Poppaea tornou-se uma amante influente e Tigellinus voltou do exílio para ser o braço direito de Nero. Sem herdeiros, Nero teve de armar uma fraude para divorciar-se de Octavía e assumir o filho de Poppaea. Em julho de 64, com sua reputação em frangalhos, Nero foi acusado pelo incêndio que consumiu Roma em uma semana.
No ano seguinte, uma conspiração armada por velhos amigos, entre eles o próprio Sêneca, foi descoberta e os envolvidos obrigados a cometer suicídio. Outras execuções sumárias seguiram-se, contribuindo para o dissabor do povo, dos militares e dos senadores. A cada ano, a situação de Nero tornava-se menos sustentável, até que revoltas e motins em territórios, como o Egito, levaram o Senado a depor Nero, que cometeu suicídio em 9 de junho de 68. A balbúrdia iniciada por Nero e a falta de sucessores levaram Roma a outra guerra civil, quando em um período de menos de um ano sucederam-se quatro imperadores.

CRISE: QUATRO IMPERADORES EM UM ANO!

O novo sistema de governo romano já demonstrava sinais de fragilidade desde a subida de Tibério ao poder. A negligência com o Principado e outros preparativos para a sucessão apenas aceleraram o fim da dinastia Júlio-claudiana e, em 68, com o suicídio de Nero, seguiu-se uma guerra civil. A transição da dinastia anterior para a Flaviana foi confusa e teve 3 imperadores nesse hiato, até a posse de Vespasiano. Entre junho de 68 e dezembro de 69, Roma viu três imperadores ambiciosos subirem ao poder para serem depostos ou assassinados logo em seguida. Galba, Otho e Vitellius tentaram assumir o posto máximo, mas o futuro estava nas mãos dos bondosos imperadores flavianos.
Galba, um imperador breve e instável
Galba, um imperador breve e instável
Os reais problemas começaram enquanto Nero ainda estava vivo. Suas atitudes favoreceram a ambição de Caius Julius Vindex a liderar uma rebelião para colocar o governador da Hispânia Tarraconensis, Servius Sulpicius Galba, no lugar de Nero. Embora tropas fiéis a Nero na Germânia tenham enfrentado, vencido e matado Vindex, o destino do imperador déspota já estava selado pelo Senado. Caiba foi aclamado imperador. O revés colocou em cheque os comandos dos territórios germânicos que, de uma hora para outra, tornaram-se traidores. Rufus, o comandante da legião germânica, foi retirado do cargo. A situação na Germânia tornou-se insustentável em pouco tempo e mesmo o novo governador Aulus Vitellius, aliado de Galba, não pôde conter a rebelião na Batávia.
Vitélio, derrotado por uma conspiração
Vitélio, autoritarismo derrotado
Em Roma, Galba provou sertão instável emocionalmente quanto Nero. Seus primeiros atos como soberano foram contra várias benfeitorias anteriores. Promessas não-cumpridas e extorsões rapidamente fizeram de Caiba um imperador malvisto. A rebelião das legiões germânicas culminou na aclamação de Vitellius como imperador. Quando os rumores chegaram a Roma, Galba saiu em desespero pelas ruas convocando a população para ficar a seu lado. O erro foi ter iniciado precipitadamente sua linha sucessória nomeando Lucius Calpu Piso Licianus. Com isso, Marcus Salvius Otho aliou-se à Guarda Pretoriana. Galba foi assassinado no Fórum e, no mesmo dia Otho foi proclamado imperador pelos senadores.
Otho, um reinado curto até o suicidio
Otho, um reinado curto até o suicídio
Pouco mais de três meses depois, Otho cometeu suicídio. Seu reinado foi curto porque Vitellius e as legiões da Germânia se dirigiam para Roma. Não eram apenas legiões romanas, mas as melhores e mais respeitadas de todas, com bastante poder político desde os tempos de Tibério. O máximo que Otho pôde fazer foi oferecer-se como pai adotivo de Vitellius. Otho não teve escolha a não ser acabar com a própria vida e deixar o caminho livre p novo imperador.
Em pouquíssimo tempo, Vitellius mostrou-se um completo déspota. Esbanjando as riquezas de Roma com banquetes e comemorações em sua própria homenagem, passou a perseguir qualquer um que cobrasse as despesas e, com as finanças em crise e o juízo claramente afetado, ordenou a morte de credores, de rivais potenciais ao trono e até mesmo de pessoas que haviam colocado o nome do imperador em seus testamentos.
Com tanto desmando em um tempo de delicado equilíbrio político, não demorou para que revoltas se consumassem, principalmente na Judéia, onde Vespasiano foi declarado imperador pelas legiões do Oriente Médio. As legiões do Danúbio tomaram o partido de Vespasiano e marcharam em direção à Itália, cercando a cidade. Vespasiano tomou a Síria e trouxe o Egito para o seu lado. Vitellius foi assassinado e Vespasiano nomeado imperador pelo Senado no dia seguinte, 21 de dezembro de 69

AS PIRÂMIDES DO SUDÃO

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Mais de 200 pirâmides ao longo do Nilo simplesmente não fazem parte do famoso e incrível legado egípcio, pois, na verdade, constituem acervo do Reino de Kush e que ocupava áreas do atual Sudão. Neste reino africano constituíram-se cidades e Méroe é uma das mais impressionantes. Em Méroe pequenas pirâmides estreitas e acentuadamente angulares foram construídas entre 2.700 e 2.300 anos atrás. Os elementos decorativos eram ecléticos, sofrendo influências estrangeiras oriundas do Egito, da Grécia e de Roma
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ROMANOS X PERSAS: 721 ANOS DE GUERRA

Os romanos e os persas não tinham boas relações diplomáticas entre si. Na verdade a relação que mantinham era a de oponentes e em virtude disso os conflitos entre as duas civilizações durou incríveis 721 anos. A rivalidade não se restringia à disputa territorial ou conflitos nas fronteiras, envolvia diversos aspectos quem incluíam a religiosidade.
Os persas eram adversários que também impunham preocupações aos romanos. Seja durante o período dos Partos (238 aC – 227 dC) ou no período dos Sassânidas (227 – 651) não havia sossego entre os poderosos impérios vizinhos. Os dois lados se enfrentaram diversas vezes com sucessos e fracassos para ambos. Só a capital da Pártia, Ctesifonte, no atual Iraque, chegou a cair temporariamente sob o domínio romano cinco vezes.
Shapur I, segundo soberano persa na dinastia dos Sassânidas (durante 241 a 272), conseguiu liderar uma forte retomada persa de reconquista territorial, impondo derrotas dolorosas sobre os romanos e chegando a capturar o imperador Valeriano (Publius Licinius Valerianus Augustus). No período Sassânida as tensões Roma X Pérsia tinham cada vez mais influência dos aspectos religiosos que distinguiam os dois oponentes e os cristãos eram alvos dos persas dentro e fora de seus territórios (a perseguição aos cristão era associada à rivalidade com os romanos, sobretudo após a conversão de Teodósio e cristianização do Império Romano).
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Rendição de Valeriano diante de Shapur I
A incessante luta contra os persas ajudou a fragilizar o Império Romano do Ocidente, que acabou ruindo sem conseguir conter outros invasores, mas os conflitos continuaram por parte do Império Bizantino, sucedâneo do Império Romano do Oriente. A continuidade dessa guerra acabou também prejudicando os persas, que também tiveram que lidar com novos adversários e acabaram sendo derrotados pelos árabes muçulmanos

IMPERADORES ROMANOS MORTOS EM COMBATES MILITARES


Imperadores romanos (governantes do império unificado ou dividido nas poções do Ocidente e Oriente) não eram figuras raras nos campos de batalha, mas geralmente comandando tropas muito numerosas capazes de facilmente liquidar os oponentes com forças bem inferiores, ficavam em condições seguras na retaguarda e cercados por guarda-costas altamente treinados e prontos para retirar o soberano de situações de risco, então os césares corriam poucos risco geralmente… mas nem sempre, pois alguns chegaram a morrer em combate, como nos casos de Gordiano II, Filipe I, Décio, Herêncio, Constantino II, Juliano e Valente (seriam mais se contássemos os imperadores bizantinos).
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Gordiano II 
Não são fartas as informações sobre ele, mas Gordiano II teve carreira política favorecida pelo pai, o também césar Gordiano I, que o designou como co-imperador assim que assumiu o comando de Roma. Consta que era um sujeito que apreciava os luxos e prazeres da vida de um nobre, tinha 22 concubinas e vários filhos. Sua desgraça ocorreu quando resolveu enfrentar uma ameaça de invasão na província de Cartago, mas acabou liderando um exército inexperiente e precariamente armado contra as forças lideradas pelo general Capeliano, ainda fiel ao ex-imperador Maximino Trácio – assassinado numa conspiração e que foi o antecessor dos Gordianos – e que comandava uma tropa experiente em combate e muito bem preparada para a ação. No enfrentamento a tropa de Gordiano II acabou entrando em colapso, com várias fugas desesperadas de soldados em pleno combate e na confusão o próprio imperador foi morto e seu corpo jamais foi identificado entre as inúmeras vítimas. Depois da derrota Gordiano I cometeu suicídio, colocando um fim a um curto governo que durou dois meses no ano 238 da Era Cristã.
Filipe I , Décioe Herêncio 
Um imperador pouco conhecido, Filipe, O Árabe, era mesmo de origem asiática e teria sido efetivamente o primeiro dos imperadores romanos cristãos (batizado pelo Papa Fabiano) e governou entre 244 e 249. Seu governo foi afetado pelas comuns disputas internas de poder entre os chefes militares romanos e sucumbiu porque possuía pouco prestígio entre as tropas, que na época aclamavam o prestigiado e experiente general Décio, líder de uma forte oposição a Filipe que gerou finalmente um confronto. Na tentativa de abafar a rebelião de Décio, Filipe liderou pessoalmente uma missão militar facilmente derrotada e acabou morrendo em combate nas proximidades de Verona, possibilitando que o Senado consagrasse o rival como imperador. Décio governou realizando medidas severas contra o avanço do cristianismo e em favor da tradição pagã romana, tendo determinado inclusive o assassinato do Papa Fabiano. Em 251 designou seu filho Herêncio como co-imperador, no mesmo ano em que o maior de seus problemas despontou e não era o cristianismo, mas os godos, que invadiram o território da atual Bulgária. Na tentativa de impedir o avanço dos invasores bárbaros, os dois imperadores foram pessoalmente comandar tropas e ambos morreram em combate na Batalha de Abrito. A situação não estava fácil para os romanos, pois que perderam três imperadores seguidos mortos em combate militar em apenas dois anos.
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Constantino II 
Tendo sido designado césar pelo pai, Constantino I, aos sete anos de idade em 317 e comandante da Gália aos dez, o precoce Constantino II iniciou cedo sua experiência política e militar, passando a dividir a partir de 337 (após a morte do pai) o governo com seus irmãos Constâncio II e Constante I até que as intrigas familiares acabaram rendendo uma trama de conflitos e assassinatos. A disputa fratricida acabou levando Constantino II a enfrentar seu irmão mais novo, Constante I, que definitivamente colocaram suas respectivas tropas uma contra a outra e na tentativa de Constantino II de invadir territórios sob o comando do irmão acabou sendo morto numa emboscada típica de batalhas em 340 na Itália. O jovem Constante I acabou assumindo a condução do império sozinho.
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juliano
O último imperador não-cristão de Roma governou durante dois anos (entre 361 e 363) e por sua crença pagã ficou conhecido como “O Apóstata”. Ele declarava-se sob a proteção de Zeus e Hélio e até foi educado e batizado como cristão, mas resolveu abandonar o cristianismo, adotar a antiga religião romana e restaurar sua prática mesmo sem estabelecer uma política de perseguição aos cristãos. Antes de se tornar imperador teve uma sólida carreira militar com atuação na atual região da Alemanha e ao ser consagrado césar (resultado de uma disputa de poder com o antecessor, Constâncio II, que quase resultou numa guerra civil) estabeleceu uma política de reformas públicas e uma campanha desastrosa contra os persas sassânidas. Na tentativa de derrotar os inimigos encarou uma batalha fadada ao fracasso no território persa e acabou fatalmente ferido em combate – resultado facilitado por sua imprudência, pois resolveu encarar a batalha sem usar armadura. Sua morte significou também a queda de uma potencial ameaça ao avanço do cristianismo no império.
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valente
O conturbado reinado de Valente durou de março de 364 até agosto de 378 e foi marcado por instabilidades, enfrentando ataques bárbaros (sobretudo dos godos), rebeliões e ameaças de usurpadores – não faltaram batalhas. Diante de tantos conflitos, o imperador se envolveu diretamente no comando de campanhas militares e em uma delas a situação foi mais grave. Tentando conter os avanços dos godos sobre território romano, Valente liderou pessoalmente uma força para tentar derrotar os inimigos externos para com isso também obter reconhecimento interno inquestionável, mas subestimou o poderio dos bárbaros e acabou diante de uma situação de combate complicada que obrigou o imperador a determinar um movimento de retirada que nem ele conseguiu cumprir, tendo sido cercado por inimigos que atearam fogo à formação de defesa com escudos (mantendo o imperador em seu interior) que grupo de guarda-costas tentou manter.

AS 16 DATAS QUE MUDARAM O MUNDO: 2- A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO

O antes de 476 é a ficção da unidade do mundo romano, que se mantém vivo até então por meios artificiais e se torna cristão a partir do reino de Teodósio. O império do Ocidente só continua no lugar pela forte resistência do império do Oriente, mais sólido.
O depois de 476, muito tempo após as grandes invasões, constitui a ruptura da unidade do mundo mediterrâneo com o desaparecimento definitivo do império romano do Ocidente. É também o aumento da intolerância religiosa em consequência do crescimento das primeiras heresias nos reinos bárbaros, que contribui para impedir a reconstituição de uma unidade.
reconstituição de uma unidade.
*****
Por que Ravena? Porque a cidade eterna não é mais segura, ela não garante mais a segurança da corte e do imperador. Roma foi tomada de assalto, pilhada durante três dias pelo chefe visigodo Alarico em 410. Desde então, a corte imperial mudou-se para o norte, antes de instalar-se em 404, com o imperador Honório, na pequena cidade de Ravena, atônita com tanta honra. De fato, a escolha de Ravena foi calculada para permitir à corte de fugir, em caso de perigo urgente, em direção a Constantinopla pelo mar.
Os bárbaros que ameaçam o império do Ocidente vêm do norte e do leste da Europa, em uma grande migração de povos cavaleiros vindos das montanhas de Altaí, nos confins da China, e constantemente empurrados para o oeste pelo mais ofensivo de todos, os hunos.
A fome os move, assim como as necessidades de pasto para os cavalos e os rebanhos. Eles foram, por muito tempo, mantidos afastados pelas muralhas romanas construídas ao longo do Reno e do Danúbio, o limes, mas, em 406, um impressionante deslocamento de povos, perseguidos pelos hunos, ultrapassou o Reno, em Mainz, para se precipitar sobre o império do Ocidente. No passado, Roma acolhia legalmente esses bárbaros estabelecendo com eles um acordo (foedus) para instalá-los nos territórios que precisavam de mão-de-obra, ou para engajá-los no exército. Mas, em 406, sem esperança de retorno e sem nenhuma permissão, é toda uma massa de povos que atravessa o rio. Não há, a partir de então, nenhuma fronteira protetora em torno do mundo romano.
Os imperadores, desprovidos de soldados, não têm os meios para resistir. Os cidadãos romanos não querem mais combater, nem pagar impostos, nem mesmo exercer as funções administrativas. Os últimos imperadores são obrigados a engajar bárbaros, como Estilicão, para comandar seus exércitos, e esses generais escolhem seus homens entre os de sua nação.
O poder escapa aos senhores do império. Nele, nas cidades e vilarejos, os bispos são os únicos herdeiros da administração de Roma, mas nos pagi, ou burgos rurais, os pagani (camponeses) rebeldes à religião católica não pagam mais impostos e não obedecem a mais ninguém. No exército, só se conta com os bárbaros. São os generais bárbaros que comandam a situação.
Os imperadores sucedem-se no pequeno porto de Ravena, onde Augusto havia instalado uma parte da frota militar. A região pantanosa e isolada não pode ser alcançada sem riscos. Mas sobretudo o imperador e a corte podem ser retirados pelo mar. Ravena é um refúgio nauseabundo, infestado de mosquitos, o único lugar onde o império ainda pode ter continuidade. Nela são construídos palácios suntuosos e a basílica de São Vital, decorada de mosaicos brilhantes como se a corte imperial fosse ali residir durante séculos.
Os chefes visigodos, mais tarde Átila, ousam pedir as filhas da família imperial como esposas. Os povos instalam-se com o estatuto de federados de Roma nas terras do império, mantêm suas leis, seus chefes, suas famílias. Eles exigem uma parte das terras e dos escravos para assegurar a subsistência. O império não existe mais. Estilicão, o chefe bárbaro dos exércitos romanos, instala o fraco imperador Honório em Ravena. Imperadores e chefes da milícia são constantemente degolados por mercenários pagos pelos rivais. Um chefe da milícia romana, Orestes, toma o poder pela força em 475 e instala seu próprio filho, Rômulo, no trono. Mas Orestes é, por sua vez, morto por Odoacro, o chefe dos mercenários bárbaros; este é, então, proclamado rei pelos seus soldados, considerando que o Império Romano do Ocidente não tem mais razão de existir.
Na realidade os povos bárbaros já tinham tomado vastas regiões que eles haviam organizado em reinos. Assim, os alamanos na Alsácia, os burgúndios na Suíça e depois na Borgonha, os francos no norte da Gália, os visigodos no sudoeste e na Espanha, os ostrogodos na Itália e na Provença, os vândalos na África do Norte.
O título de imperador do Ocidente perdia todo o sentido. Os bárbaros dispunham de terras e dominavam os vilarejos. Eles impunham seu direito, seus usos e costumes, e recusavam-se a obedecer à justiça de Roma. Exigiam das ricas romanas a distribuição de terras, para lhes assegurar sua proteção. Eles mesmos cobravam os impostos e engajavam os camponeses para os trabalhos. Tornaram-se, como Sidônio Apolinário, em Auvérnia, os co-proprietários da terra, cuja produção era a única riqueza naqueles tempos de isolamento e de insegurança e onde o comércio praticamente havia desaparecido.
Eles não eram mais pagãos, mas cristãos convertidos ao arianismo; logo, inimigos da religião dos bispos de Roma, de quem eles saqueiam as igrejas, pilham os tesouros. Na Provença e em Toulouse, o godo Teodorico estabeleceu seu poder em vastas regiões, assegurando o culto ariano nas igrejas.
Na África e na Espanha, Genserico, o Vândalo, de religião arianista, tornou-se o chefe levado pelo conde Bonifácio, um influente romano revoltado contra o imperador Valentiniano III. Santo Agostinho, escandalizado, tentara mostrar a Bonifácio o perigo de sua iniciativa, que entregava uma província inteira à heresia, mas era muito tarde. Bonifácio era incapaz de conter Genserico. Em Cartago, ele, que já havia se tornado rei, forçaria em 442 o imperador a reconhecer seu poder. Para, logo após, começar a perseguir os cristãos ortodoxos, exilando os padres, roubando os tesouros das igrejas.
Chamado na Itália pela imperatriz Eudóxia para vingar o assassinato do imperador Valentiniano, ele disso se aproveitará para tomar e pilhar Roma em 455, para apoderar-se dos tesouros públicos e obrigar Eudóxia a se casar com seu filho Hunerico.
Em 476, ele é o senhor da África, da Córsega, da Sardenha, da Sicília e das Baleares. Seu reino é reconhecido pelo imperador de Constantinopla.
Neste momento, o imperador do Ocidente refugiado em Ravena não tem mais nenhuma autoridade. Rômulo, chamado, com desprezo, de Augústulo, o pequeno augusto, é o último dos imperadores romanos do Ocidente. Odoacro, chefe dos hérulos, ávido em tomar o poder, prende-o em uma vila da Campânia, com uma renda confortável. Assim, desaparece o último imperador que usava ao mesmo tempo o nome de fundador de Roma e o de fundador do império.
As insígnias imperiais foram transportadas para Constantinopla, onde o império se manteve até 1453. Chamava-se doravante império bizantino, porque havia tomado o nome grego da capital, Bizâncio. Mas o império não representava nenhuma realidade no Ocidente. Os reinos bárbaros haviam ocupado seu lugar. O papa bispo de Roma era a única autoridade cristã ortodoxa que, na impossibilidade de combatê-los, pôde compactuar com os bárbaros.
O que vem a seguir ao ano de 476 não é somente a decomposição do império no oeste, é antes de tudo o desencadeamento das primeiras guerras de religião. A oeste da Europa, os bárbaros vindos da Escandinávia, das planícies russas e da longínqua Sibéria estabelecem reinos e nem todos são pagãos; embora eles se considerem cristãos, são rejeitados pelos cristãos de religião romana. Na realidade, foram convertidos ao cristianismo por Ário, considerado pelos bispos de Roma como herético. Os papas, contra esses reis arianistas, estão, desse modo, constantemente em uma posição defensiva.
Será necessário esperar o batismo de Clóvis para que a Igreja possa se apoiar no Ocidente em um primeiro reino cristão ortodoxo. Todos os outros eram hostis aos bispos e perseguidores de cristãos. As guerras mantidas por Clóvis a partir de sua conversão têm uma finalidade religiosa. Ele casou-se com uma princesa burgunda, Clotilde. Os burgúndios são arianistas; Clotilde, porém, é católica: sua influência e a dos bispos Avit e Remi levam-no a se converter. Clóvis torna-se assim, aos olhos do público católico, o único rei legítimo dos reinos bárbaros. “Vossa fé é a nossa vitória”, lhe escreve Avit, bispo na região burgúndia, em Viena.
Os reis arianistas defendem-se, reagrupam-se em torno do ostrogodo Teodorico. Eles constituem uma liga contra Clóvis, que mantém uma campanha contra o exército burgúndio de seu sogro, a quem impõe um tributo, no ano 500. A vitória de Vouillé contra o visigodo Alarico II, em 507, permite-lhe dominar a Aquitânia, mas a Provença, nas mãos de Teodorico, resiste até o fim e proíbe ao franco chegar até o Mediterrâneo a leste do Reno. O imperador do Oriente, Atanásio, reconhece o reino de Clóvis e lhe dá os títulos romanos de patrício e de cônsul, como se ele fosse, entre todos os bárbaros, o único digno de suceder ao imperador do Ocidente.
Clóvis reina da Bélgica aos Pireneus, mas o reino franco perde sua unidade com a morte de seu chefe. Seus quatro filhos, Thierry, Childerico, Clodomir e Clotário, o dividem entre si. Será necessário muito esforço ao mais ativo dos merovíngios, Dagoberto, para tentar restabelecer a unidade perdida e assentar a Igreja Católica em um Estado não contestado.
A partir de 631, com a ajuda do ministro Elói, Clóvis começa a reconstituir o reino e conclui com o imperador de Bizâncio um tratado de amizade, pois Dagoberto é também um rei bastante cristão, que mantém contra os pagãos saxões e eslavos uma guerra implacável. Mas, com sua morte em 639, o reino católico é novamente desfeito pela divisão. Os reis merovíngios não souberam resolver o problema da sucessão. Depois de Dagoberto, os prefeitos do palácio governam e se engalfinham.
Os soberanos bárbaros têm, todos, os olhos fixos no Oriente, como se o reconhecimento de seu Estado pelo imperador fosse um voto de solidez. Porém, o império do Ocidente não existe mais. A própria religião aceita pelos imperadores desde Constantino é ameaçada pelos bárbaros tornados heréticos, ou, como é o caso dos saxões, continuam pagãos. Um longo período de guerras e de desordens começa na Europa.
O cristianismo consegue melhorar ligeiramente os costumes selvagens dos bárbaros. Mesmo se são batizados, eles usam os monastérios para enclausurar pela força seus rivais, matam-se alegremente entre si, e, para manter a unidade do reino, nunca hesitam diante de um assassinato político, nem mesmo Clóvis.
As últimas invasões, as dos normandos na Gália e as dos lombardos na Itália, são as mais selvagens. Os normandos são pagãos e pilham sem remorsos as igrejas, de onde levam os tesouros. Eles encontraram, na Gália, os santuários ricos em doações feitas pelos fiéis, como São Martim de Tours, ou Poitiers, cidade da santa Radegonde. Suas expedições, ao longo dos rios, são razias destinadas a se apoderar dos objetos preciosos e do ouro doado aos santos pelos fiéis.
Os lombardos não são menos selvagens. Meio pagãos, meio cristãos arianistas, eles atravessaram os Alpes em 568, sob a chefia do rei Alboin, para espalharem-se pela planície do Pó, e a saquearam. Eles instalaram-se em torno de Pávia e questionavam constantemente o poder e a independência do papa, mesmo este conseguindo convertê-los a partir do século VIL
Os casamentos dos chefes bárbaros com princesas católicas influenciadas pelos bispos são então o melhor método de conversão. É necessário casar o rei Agilulf com uma princesa da Baviera, para que ele deixe batizar seus filhos. A política dos bispos é, então, a da conversão dos reis. Eles conseguem a do rei lombardo Liutprand e, na Normandia, a do chefe Rolando, que é batizado com o nome de Roberto e recebe em casamento a filha do rei franco, Carlos, o Simples. A conversão dos reis é então, num contexto de selvagens afrontamentos, onde a religião tem um papel dominante, a única carta do papa e dos bispos. Eles não são em nada protegidos por nenhum poder civil forte.1. O papado
  • Fim do século I, aproximadamente em 96: Superioridade do bispo de Roma afirmada pela epístola de São Clemente à Igreja de Corinto.
  • Aproximadamente em 107: Testemunho de Santo Inácio de Antioquia.
  • Século II: Cipriano, bispo de Cartago, chama a Igreja romana de “a igreja principal, na qual se origina a unidade do sacerdócio”. Já é a confirmação do poder espiritual do bispo de Roma, que ostenta o nome de papa Cornélio.
  • 347: No Concílio de Sárdica, os bispos atribuem ao papa o direito de apelação sobre uma sentença mantida contra um bispo pelo sínodo de sua província. É o começo de uma justiça, logo de uma administração pontifícia.
  • 385: O papa Sirício publica o primeiro decreto afirmando que a lei da Igreja romana é válida, portanto aplicável para toda a cristandade.
  • 440-461: Leão, o Grande, negocia com Átila e com Genserico. 590-604: Papado de Gregório I, o Grande, chamado de o “cônsul de Deus”. Ele é o primeiro a se afastar do império do Oriente para afirmar seu poder espiritual e mesmo temporal contra os bárbaros do Ocidente. Ele negocia tratados e estabelece alianças como um soberano.
  • De uma família patrícia de Roma, filho de senador, ele tem experiência em administração imperial, tendo sido prefeito da cidade em torno de 573. Ele experimenta também um período de meditação religiosa quando se torna monge em seu palácio do monte Célio, que é transformado em monastério. O papa Pelágio II tira-o de seu refúgio para enviá-lo como núncio a Constantinopla. Ali ele constata a indiferença dos patriarcas e dos imperadores pelo destino da Igreja romana ameaçada pelos bárbaros. Ele compreende que a única solução para salvar a Igreja, quando é eleito papa em 590, é a conversão dos reis bárbaros.
  • Gregório I considera-se o chefe da Itália e negocia diretamente com os lombardos em 592. Ele estabelece relações com os outros reis bárbaros e principalmente com os francos. Considera-se um elo entre os chefes e seu tutor espiritual. Ele afirma a primazia do bispo de Roma, o Papa, sobre os patriarcas do Oriente e se atribui o título de servus servorum Dei (o servidor dos servidores de Deus). Assim, ele reforma os hábitos da Igreja e impõe aos monges regras estritas. O papa Gregório envia os beneditinos para evangelizar a Grã-Bretanha anglo-saxã. Ele é o verdadeiro primeiro papa a história.
2. Os reinos bárbaros
Os burgúndios
  • 443: Estabelecimento dos burgúndios arianistas no vale alto do Ródano, sob o comando de Gondebaud.
  • 461: Começo da expansão burgúndia. Eles criam um reino que vai da Champanhe até o Durance, das Cévennes até a Suíça.
  • 480: Gondebaud dá ao reino as primeiras leis bárbaras, conhecidas sob o nome de Lei Gombette.
  • 516: Eles se convertem ao cristianismo sob a influência de São Avit, fundador do monastério de São Maurício d’Aghaune, no Vaiais.
  • 534: Anexação do reino burgúndio ao reino franco, após a derrota do rei Gondemar II.
Os vândalos
  • 406: Eles atravessam o Reno com os eslavos e os alanos, para invadir a Gália, e depois a Espanha.
  • 412: Os federados do imperador Honório lutam durante dez anos contra os visigodos.
  • 428: Vão para a África, conduzidos por seu rei Genserico.
  • 439: Tomada de Cartago. Os vândalos tornam-se então piratas temidos em todas as ilhas do Mediterrâneo ocidental.
  • 455. Pilhagem de Roma. Genserico leva como prisioneiras a viúva e as duas filhas do imperador Valentiniano III.
  • 477-484: Reino de Hunerico, o arianista. Perseguição dos católicos.
  • 533: O imperador do Oriente, Justiniano, envia o exército do general Belisário para o Magreb. Ele destrói o reino dos vândalos. A África do Norte volta a ser católica.
Os visigodos e os ostrogodos
  • 376: Os godos do oeste (Wisigoths), arianizados por Ulfilas, pressionados pelos hunos, atravessam o Danúbio.
  • 378: Eles esmagam o exército imperial na batalha de Adrinopla e pilham os Bálcãs.
  • 395: Conduzidos por Alarico, atravessam a Grécia e depois a Itália.
  • 410: Tomada de Roma por Alarico.
  • 415: Conquista da Espanha e do sul da Gália pelos visigodos.
  • 418-451: Teodorico I cria a monarquia visigoda em Toulouse.
  • 507: Em Vouillé, Clóvis, o Católico, destrói a potência ariana visigoda na Gália.
  • 508: Teodorico, rei dos godos do leste (Ostrogoths), estabelece um reino no sul da Itália, na Provença e na costa dálmata.
  • 536-555: Os ostrogodos expulsos da Itália pelo exército bizantino.
Os francos merovíngios
  • 457-481: Childerico I, filho de Meroveu, conduz seu povo da Bélgica até as margens do Somme.
  • 481-511: Seu filho Clóvis, primeiro bárbaro convertido ao catolicismo ortodoxo romano, vence os burgúndios e os visigodos e concretiza a união da Gália.
  • 629-639: Dagoberto reconstitui a união após a divisão do reino entre os filhos de Clóvis.
  • 680: O prefeito do palácio da Austrásia, Pepino de Herstal, reúne a Nêustria e a Austrásia em um único reino.
  • 751: O último merovíngio, Childerico III, é deposto pelo primeiro carolíngio, Pepino, o Breve.
  • OS IMPERADORES DE ROMA – PARTE 1

  • OTÁVIO

    Otávio Augusto, o primeiro.
    Gaius Octavianus nasceu em 23 de setembro de 63 a.C., filho do pretor Gaiuus Octavius e de Átia, sobrinha de Júlio César. Aos 18 anos, acompanhou César na campanha contra os filhos de Pompeu na Espanha. Em seu posto como comandante da 10a Cavalaria, o jovem teve papel decisivo na vitória, o que lhe valeu a atenção do tio-avô. Na volta para Roma, César ensinou-lhe os caminhos da política e do populismo. Em pouco tempo, Otávio foi enviado à Macedônia para continuar seus estudos. César adotou oficialmente o jovem e ambos iriam partir em campanha contra o Império Persa. Mesmo nunca tendo ocupado nenhum cargo público e ainda com menos de 20 anos, Otávio já tinha assegurado a segunda maior posição em Roma.
    Com a morte de Júlio César em março de 44 a.C, Otávio voltou da Macedônia para garantir sua herança: três quartos das posses de César. Mas haveria mais, caso ele conseguisse a simpatia do povo e das legiões. O processo de aproximação ao poder foi tenso, com Marco António tentando ignorar a presença de Otávio em Roma. A partir de abril, Otávio passou a usar o nome Gaius Julius Caesar. No mesmo ano, ele ainda descobriu que sua amada, Livia Drusilla, havia se casado com Tiberius Nero, com quem teria um filho, Tiberius.
    O Senado pendeu para o lado de Otávio, acreditando que o jovem seria facilmente manipulado. Para os senadores, o verdadeiro perigo para a República era Marco António e, embora ele e Lepidus estivessem reunindo legiões na Espanha enquanto Agrippa e Maecenas, amigos de Otávio, reuniam tropas na Macedônia, a guerra não era de interesse de ninguém.
    O Segundo Triunvirato dividiu os territórios romanos entre Otávio, Marco António e Lepidus, dando aos três o status de ditadores e poder para sobrepujar o Senado a qualquer momento. Como prova de poder, o trio promoveu um expurgo, votando pela volta das temidas proscrições, assinando a sentença de morte de 300 senadores e milhares de outros cidadãos por motivos que iam de oposição política a simples confisco das posses dos condenados. O golpe final foi a morte de Brutus e Cassius, assassinos de César, nas batalhas de Philipi. A derrota deles foi o último suspiro da República Romana.
    Em Roma, Lepidus usou seu cargo como Pontifex Maximus para declarar Júlio César um deus, o que levou Otávio a se auto-intitular “O Filho de Deus”. Os ânimos entre Marco António e Otávio eram apaziguados por Lepidus. Mesmo em meio a disputas entre os membros do Triunvirato e elementos externos, como Sextus Rompeu, e a preparação da campanha contra os persas, a reputação de Otávio era cada vez maior. Seu primeiro golpe contra o Triunvirato foi no elo mais fraco. Após a vitória sobre as forças navais de Sextus e a tomada da Sicília, Lepidus tentou assimilar as forças vencidas. Para Otávio, essa foi a deixa para destituí-lo do poder e tomar suas 18 legiões.
    Na Roma Antiga, o termo latino Pontifex Maximus (“Sumo Pontífice”) designava o sumo sacerdote do colégio dos Pontífices, a mais alta dignidade na religião romana. Até 254 a.C., quando um plebeu foi designado para o cargo, somente patrícios podiam ocupá-lo. De início um posto religioso durante a República, foi gradualmente politizado até ser incorporado pelo imperador, a partir de César Augusto.
    Cônsul (do latim consule) era o magistrado supremo na república romana. Na república romana, em número de dois, os cônsules eram os mais importantes magistrados; comandavam o exército, convocavam o Senado, presidiam os cultos públicos e, em épocas de “calamidade pública” (derrotas militares, revoltas dos plebeus ou catástrofes), indicavam o ditador que seria referendado pelo Senado e teria poderes absolutos por seis meses.Durante o Império Romano, o consulado, despido de poderes reais, tornou-se uma magistratura puramente honorífica e que exigia gastos enormes na realização de jogos, mas ainda abria caminho para certos cargos efetivos, como o exercício de certos governos provinciais (proconsulado). Com a divisão do Império, os cônsules (que continuavam a dar nome ao ano), passaram a ser cada um escolhido por um dos imperadores (o do Ocidente e do Oriente), até que Justiniano aboliu a magistratura em 541 da era cristã.  
    Pax Romana, expressão latina para “a paz romana”, é o longo período de relativa paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano. Iniciou-se quando Augusto César, em 29 a.C., declarou o fim das guerras civis e durou até o ano da morte de Marco Aurélio, em 180.
    Em 36 a.C., vários fatores levavam a uma iminente guerra entre Marco António e Otávio. O primeiro, ainda casado com a irmã do segundo, teve um filho com Cleópatra e passou a dominar o leste romano. A idéia era colocar os herdeiros no poder, mas Otávio consolidou sua popularidade no resto dos territórios, criando uma imagem anti-romana de Marco Antônio.
    Sabiamente, Otávio declarou guerra a Cleópatra, esperando que António fosse ao auxílio da amada. Ao mesmo tempo em que a guerra se anunciava e os exércitos se posicionavam, Otávio atrasava seu início manobrando a armada naval e ganhando mais apoio do Senado. Encurralado, Marco António tentou furar o bloqueio marítimo, mas foi derrotado sumariamente na Batalha de Actium. Em terra, seus exércitos se renderam. Após 20 anos de guerra civil, Otávio, finalmente, era o único soberano político de Roma.
    Cleópatra VII Thea Filopator (Alexandria, Dezembro de 70 a.C. ou Janeiro de 69 a.C. – 12 de Agosto? de 30 a.C.) foi a última farani (feminino de faraó) e rainha da dinastia ptolomaica (oriunda da Macedônia) que dominou o Egito após os gregos terem invadido aquele país. Era filha de Ptolomeu XII e de mãe desconhecida. O nome Cleópatra é grego e significa “Glória do pai”; o seu nome completo, “Cleópatra Thea Filopator” significa “A Deusa Cleópatra, Amada de Seu Pai”. É uma das mulheres mais conhecidas da história da humanidade e um dos governantes mais famosos do Antigo Egipto, sendo conhecida apenas por Cleópatra, ainda que tivessem existido outras Cleópatras a precedê-la, que permanecem desconhecidas do grande público. Nunca foi a detentora única do poder no seu país – de fato co-governou sempre com um homem ao seu lado: o seu pai, o seu irmão (com quem casaria mais tarde por sugestão de Júlio César, então seu amante) e, depois, com o seu filho. Contudo, em todos estes casos, os seus companheiros eram apenas reis titularmente, mantendo ela a autoridade de fato.
    Otávio percebeu que a República Romana estava no fim, mas não se deixou levar imediatamente pelas honrarias da vitória. Em um trabalho contínuo de reconstrução e confiança, serviu como cônsul de 31 a 23 a.C. No campo militar, os laços de lealdade foram reformados, com o Estado mantendo 28 legiões próprias. Em 27 a.C., ele usou uma estratégia inédita. Declarando estar disposto a se aposentar da vida pública, o povo e o Senado em coro pediram que ele reconsiderasse. Sua saída poderia causar sérios distúrbios e guerras civis. Com isso, novos poderes e um outro título foram concedidos: Augustus. Otávio passou a ser chamado de Imperator Caesar Augustus. É bom lembrar que o título “Imperator” não é o mesmo que “Imperador”. O primeiro era um título mais similar a “Comandante”. Outras honrarias sucederam-se, como Princeps, que o colocava acima de todos os cidadãos romanos e, com a morte de Lepidus, Pontifex Maximus. O poder de Augustus era supremo, com direito a veto em qualquer matéria. Em 2 a.C., Augustus também foi nomeado Pater Patríae, o Pai da Pátria, como César.
    Augustus promoveu a duradoura Pax Romana por meio de um misto de prudência e audácia. O exército não era mais de propriedade privada ou sujeito a reveses políticos. O sistema tributário foi reajustado e Roma foi praticamente reformada. As artes foram privilegiadas, a moral foi resgatada e a tranqüilidade civil restaurada. O casamento de Augustus com Lívia durou 52 anos e seu sucessor seria Tiberius. Ele regeu Roma e o Império por mais de 40 anos e, apesar de alguns tropeços econômicos, elevou a prosperidade e manteve a paz como nenhum outro antes ou depois dele.
    Augustus e Lívia não tiveram filhos. Do primeiro casamento, ela trouxe Tibério, que foi adotado por Augustus. O rapaz, então, unia duas das mais tradicionais famílias patrícias: Júlia e Cláudia. Os sucessores imediatos de Tibério teriam o nome dos dois clãs, com Calígula (37-41) e Nero (54-68), filhos do primeiro casamento de Julia Caesaris com Nero Claudius Drusus, irmão de Tibério; e Claudius (41-54), filho de Octavia, irmã de Augustus. A dinastia Júlio-claudiana regeu o Império Romano de 27 a.C. a 68.

    A DINASTIA JÚLIO-CLAUDIANA

    TIBÉRIO (14-37)

    Tibério, o perturbado.
    Tibério, o perturbado.
    Tiberius Claudius Nero nasceu em 16 de novembro de 42 a.C., filho de Tibério Nero e Livia Drusilla. De família tradicional e rica, o futuro de Tibério já estava aliado à vida pública. Quando o garoto tinha apenas 3 anos, sua mãe divorciou-se e casou-se com Augustus, uma paixão antiga. Tibério foi adotado e tornou-se herdeiro do Império Romano. Desde cedo; Augustus impeliu o jovem a posicionamentos e cargos públicos de importância, como na Batalha de Actium, na campanha contra os persas; o questorado aos 17 anos; e o consulado 5 anos antes da idade permitida.
    Ao retornar do Oriente, foi eleito cônsul, em 13 a.C. e casou-se com Vipsania Agrippina, filha de Marcus Vipsanius Agrippa, aliado de longa data de Augustus. O casamento, assim como o de sua mãe com Augustus, era baseado em afeto e não só em interesses futuros. Mas, quando Marcus Agrippa morreu, em 12 a.C., Tibério foi obrigado por Augustus a tomar a viúva Julia Caesaris como esposa, em uma união sem amor. As campanhas de Tibério ao lado de seu irmão Nero Claudius Drusus nos Alpes foram bem-sucedidas. Entre 12 e 6 a.C., Tibério comandou as forças de expansão, principalmente na Germânia. Apesar de vitoriosas, as campanhas dele tinham um ranso de tristeza.
    Os eventos levavam Tibério cada vez mais ao centro do poder. Se antes da morte de Agrippa, o jovem já era cotado como sucessor de Augustus, naquele momento, casado com Julia, a sucessão era certa. Para surpresa geral, Tibério retirou-se para a ilha de Rodes em 6 a.C., quase como um auto-exílio. Essa atitude colocou-o em desgraça perante Augustus, que, após isso, nunca mais teve o mesmo carinho pelo enteado. É possível que Tibério só tenha escapado de uma execução sumária por conta de sua mãe. Mesmo aceitando-o novamente em Roma, Augustus não planejava mais que Tibério fosse seu sucessor, confiando muito mais nos filhos de Agrippa, Lucius e Gaius Caesar. Mas Lucius morreu em Massilia e, logo em seguida, Gaius Caesar foi ferido mortalmente em combate. Tibério voltou a ser o único nome disponível, mas Augustus não queria dar chance ao destino e adotou também Postumus Agrippa, o último filho de Agrippa, e forçou Tibério a adotar Germanicus. Assim, o Principado estaria assegurado e, talvez, novas tragédias não destruíssem toda a linha sucessória de Augustus.
    Por dez anos, Tibério foi o braço direito de Augustus. A morte do soberano em 19 de agosto do ano 14 não foi surpresa e a posse de Tibério, apenas uma conseqüência prevista. O engajamento do novo governante de Roma não podia ser mais insólito. Sendo esta a primeira sucessão após a queda da República, ninguém parecia ter muita certeza de como proceder. Tibério atendeu às solenidades de deificação de Augustus e outras, onde o Senado lhe ofereceu as honrarias devidas a um sucessor de Augustus. Não se sabe se Tibério tentou imitar o padrasto, mas o fato é que o novo soberano refutou algumas das honrarias, como a Pater Patriae e as responsabilidades do principado.
    O Senado, sem saber como proceder, tentou contornar a situação enquanto em outros rincões, como as legiões em Pannonia e Germânia, levantavam-se revoltas. Tibério enviou seus dois filhos, Drusus e Germanicus, para resolver os problemas. As legiões pediam a queda de Tibério e a posse de Germanicus, que precisou de muita dissuasão política para contornar a situação. Em um plano mais geral, os primeiros anos de Tibério como regente foram pacíficos. O novo imperador seguiu os passos de Augustus, assegurando os poderes de Roma, expandindo o Império e atendendo aos desígnios do povo e do Senado. Para a população, Germanicus era o melhor sucessor possível, e Tibério parecia concordar, dando glórias e novos postos de comando para o sobrinho em detrimento do filho, Drusus. Mesmo com o apoio explícito a Germanicus, Tibério foi acusado da morte do jovem. Porém, os fatos nunca foram provados.
    A partir daí, Tibério desenvolveu uma paranóia constante que o levou à reclusão. Em muito, o mentor desse afastamento foi Lucius Aelius Sejanus, chefe da Guarda Pretoriana, que alimentou Tibério com teorias conspiratórias cada vez mais complexas. É provável que Sejanus tenha planejado a morte de Drusus em 23 e que isso tenha sido o começo do fim da linhagem Júlio-claudiana. O soberano, bastante manipulado por Sejanus, permitiu que o amigo ganhasse cada vez mais terreno na política.
    Tibério, que nunca havia demonstrado sede pelo poder, preferiu retirar-se da vida pública em 26, isolando-se na Ilha de Capri e deixando o posto temporariamente nas mãos gananciosas de Sejanus. Enquanto isso, Agrippina, viúva de Germanicus e neta de Augustus, tentava fortalecer seus filhos (Calígula, Nero e Drusus) como sucessores e fazer frente ao usurpador Sejanus.
    A ausência de Tibério quase determinou o fim da linhagem Júlio-claudiana. Drusus, Agrippina e Nero Caesar morreram coagidos ao suicídio ou de fome, exilados. Sejanus controlava o acesso do Senado a Tibério em Capri, onde o jovem Calígula lhe fazia companhia. Tibério promovia uma caça às bruxas por toda a cidade de Roma, compelido apenas pelas acusações de Sejanus. O poder de Sejanus e sua manipulação política quase fizeram Tibério nomeá-lo tribuno e co-imperador, mas Antonia Minor, a cunhada viúva de Tibério, despertou o Imperador sonolento em 31, com uma carta denunciando Sejanus. O impostor foi executado antes do final daquele ano. Um expurgo seguiu-se, amplificado pela paranóia de Tibério.
    Nos anos finais do reinado de Tibério, foram eliminados vários traidores, fossem eles culpados ou não. Tibério nunca mais pisaria em Roma nos últimos 23 anos de regência e muitos de seus atos seriam descritos depois por historiadores como pífios. Ultimamente, Tibério tem sido resgatado como um regente satisfatório que deu prosseguimento aos desígnios de Augustus, entre eles a não-expansão e a continuidade da Pax Romana. Ele deixou clara sua vontade de que o Império fosse regido em conjunto por seu sobrinho Calígula e seu neto Gemellus.

    CALÍGULA (37-41)

    Caligula, o depravado
    Calígula, o depravado
    Nascido em 31 de agosto de 12, Gaius Julius Caesar Germanicus, ou Calígula, representou o ápice do desleixo com o Império Romano. Enquanto para Augustus era importante manter uma ilusão de que a República ainda tinha certo poder, Tíbério, ao deixar Sejanus subir tanto, foi obrigado a mostrar que seu posto era absoluto para abafar as conspirações.
    Outro ponto negativo de Tibério, que despontou explicitamente em Calígula, foi a falta de preparo dos sucessores. O principado, cuidadosamente elaborado por Augustus, preparando os próximos soberanos de Roma, foi relegado ao segundo plano na regência de Tibério, trazendo péssimas conseqüências futuras. A falta de habilidade para governar ficou evidente já nos primeiros anos de Calígula como regente. Ainda garoto, era chamado de “botinhas” pelos legionários acampados na Germânia, que o tinham como mascote. O apelido vinha de seu costume de andar fantasiado de legionário desde criança. Calígula, em latim, significa “pequenas botas do soldado”.
    Os curtos quatro anos de Calígula no poder foram documentados e mostram, principalmente, caprichos e sandices que o fizeram conhecido como um completo déspota. Cruel e indigno de confiança, colocou Roma em um período de promiscuidade e desmando, mantendo casos amorosos com suas próprias irmãs e deixando as legiões romanas em maus lençóis. Em uma invasão à Bretanha, mudou de idéia na última hora e ordenou que seus legionários “atacassem o mar” e colhessem conchas nas praias da França. As conchas foram levadas para Roma como saques de guerra.
    Após a morte de Tibério, Calígula começou a praticar cada vez mais loucuras. Um de seus primeiros atos foi ordenar a morte do primo Tibério Gemellus, seu co-regente. Aos olhos do público, Calígula era um bom imperador, cancelando os exílios e processos de traição instaurados por seu avô, ajudando endividados pelas taxas e sendo um sucessor direto de Augustus e Julius Caesar, filho do bem-amado Germanicus.
    As fontes históricas divergem sobre os motivos da loucura de Calígula, colocando em pauta um sem-número de incongruências autocráticas promovidas por ele. A mais conhecida talvez seja a idéia de fazer seu cavalo um membro do Senado e, depois, cônsul. Assim como Tibério, as fontes históricas são escassas, e todas são unânimes em evidenciar a inteligência ímpar do jovem imperador. Para historiadores modernos, Calígula pode não ter enlouquecido, mas perdido o controle sobre seus atos de forma sarcástica. Como um jovem com todo o poder disponível em suas mãos. Talvez tenha deixado seu bom humor reger, clamando para que as classes abaixo dele percebessem a insensatez de depositar tanto poder em apenas uma pessoa.
    Os atos incontroláveis dele revelaram a verdade que ainda estava escondida sob o reinado de Tibério: Augusto havia instaurado uma monarquia autocrática, em que o soberano do Império tinha plenos poderes. Para a aristocracia, esse tipo de atitude era imperdoável e extremamente perigosa. A única forma de parar os abusos de um imperador romano seria seu assassinato, coisa que se tornaria praxe depois de Calígula. A vida pregressa de Calígula pode tê-lo ensinado a ver além dos padrões normais, e não foi por acaso que ele foi o único da linhagem a sobreviver. Por isso, sua visão para conspirações era um misto de paranóia e esperteza. O comandante das legiões na Germânia, Gnaeus Lentulus Gaetilicus foi descoberto quando ainda esboçava um motim das legiões contra o imperador. Até então, ninguém sabia ao certo porque o governante fez questão de se deslocar pessoalmente para o norte.
    Calígula morreu aos 28 anos, assassinado por Cassius Chaerea, um antigo oficial que servira Germanicus. As razões são obscuras, mas parecem puramente pessoais. A esposa Caesonia e a filha Julia Drusilla também foram assassinadas. Ainda há suspeitas de que Cláudio, o sucessor, tenha desempenhado algum papel na morte do sobrinho. Fato é que Chaerea era oficial da Guarda Pretoriana e que Claudius foi nomeado imperador pela própria Guarda.

    CLÁUDIO (41-54)

    Cláudio, o "deformado"
    Cláudio, o deformado
    Nascido Tiberius Claudius Drusus Nero Germanicus, Cláudio mudou seu nome para Tiberius Claudius Nero Caesar Drusus quando assumiu o posto de quarto imperador de Roma. Era um figura ímpar. Gago e coxo desde a infância, a família tentava ao máximo deixá-lo à margem da vida pública. Mas ele foi alçado ao posto de cônsul por Calígula em 37, talvez em mais um sinal de deboche ao Império.
    A reclusão favoreceu o lado intelectual de Cláudio, que se tornou um grande historiador. Escreveu 43 livros sobre o Império Romano, 20 sobre o Império Etrusco e outros 8 sobre os cartagineses. O valor real desse esforço nunca poderá ser medido, pois as obras foram perdidas. A falta de sucessores e o torvelinho em que se encontrava a nobreza romana à época levaram Cláudio ao poder. Com a morte de Calígula, assassinado por um membro da Guarda Pretoriana, o Senado ficou de mãos atadas quando a própria Guarda proclamou Cláudio imperador. Essa entrada, por assim dizer, forcada, fez com que o novo imperador não fosse visto com bons olhos por todos.
    Esperava-se uma performance pífia e bondosa de Cláudio, mas sua passagem pelo poder teve grandes vitórias. A mais expressiva foi a tomada final da Bretanha em 47, após décadas de combate, domínio romano na ilha duraria mais 350 anos. Cláudio foi o primeiro imperador romano a receber o título de Caesar. Como o título “Imperador” é uma invenção prática de tempos mais contemporâneos, até a ocasião o soberano de Roma era chamado pelo nome ou por um de seus títulos (Pater Patríae, por exemplo). César transformou-se em um título pelo qual os mais altos comandantes da nação romana passaram a ser chamados desde então. Cláudio morreu naturalmente aos 64 anos.

    NERO (54-69)

    Nero, o louco
    Nero, o louco
    Lucius Domitius Ahenobarbus nasceu em 15 de dezembro de 37, filho de Agrippina, a Jovem, irmã de Calígula, e Gnaeus Domitius Ahenobarbus. Agrippina casaria-se depois com seu tio Cláudio. Adotando o nome de Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus e mais conhecido como Nero, foi o último membro da dinastia Júlio-claudiana. Sua subida ao poder foi uma sucessão de desencontros e mortes prematuras. Quando nasceu, seu tio Calígula regia o Império aos 25 anos e não se esperava que o jovem regente morresse tão cedo, uma vez que seus antecessores haviam chegado perto dos 80 anos.
    Segundo historiadores, como Suetonius e Tacitus, as relações íntimas entre Calígula e suas irmãs Drusilla, Agrippina e Julia Livilla, assegurariam a sucessão de seus próprios filhos. Os outros concorrentes ao posto de Augusto eram seus tios por parte de mãe. Com Calígula morrendo sem deixar filhos e expurgando suas irmãs traidoras e outros próximos ao trono, o caminho para Lucius estava aberto. Cláudio trouxe Agrippina e Livilla de volta do exílio, casou-se com a primeira e adotou Lucius sob o nome de Nero Claudius Caesar Drusus.
    Aos 17 anos, com a morte de Cláudio, Nero tornou-se o mais jovem imperador de Roma. Os primeiros anos de regência foram expressivos, com o rapaz tendo ao seu lado a mãe e os dois tutores, Sêneca e Burrus. Mas problemas pessoais acabaram por influenciar nos negócios de Estado. Sexo, violência e conspirações seguiram-se. Britannicus foi envenenado, Agrippina foi assassinada, Poppaea tornou-se uma amante influente e Tigellinus voltou do exílio para ser o braço direito de Nero. Sem herdeiros, Nero teve de armar uma fraude para divorciar-se de Octavía e assumir o filho de Poppaea. Em julho de 64, com sua reputação em frangalhos, Nero foi acusado pelo incêndio que consumiu Roma em uma semana.
    No ano seguinte, uma conspiração armada por velhos amigos, entre eles o próprio Sêneca, foi descoberta e os envolvidos obrigados a cometer suicídio. Outras execuções sumárias seguiram-se, contribuindo para o dissabor do povo, dos militares e dos senadores. A cada ano, a situação de Nero tornava-se menos sustentável, até que revoltas e motins em territórios, como o Egito, levaram o Senado a depor Nero, que cometeu suicídio em 9 de junho de 68. A balbúrdia iniciada por Nero e a falta de sucessores levaram Roma a outra guerra civil, quando em um período de menos de um ano sucederam-se quatro imperadores.

    CRISE: QUATRO IMPERADORES EM UM ANO!

    O novo sistema de governo romano já demonstrava sinais de fragilidade desde a subida de Tibério ao poder. A negligência com o Principado e outros preparativos para a sucessão apenas aceleraram o fim da dinastia Júlio-claudiana e, em 68, com o suicídio de Nero, seguiu-se uma guerra civil. A transição da dinastia anterior para a Flaviana foi confusa e teve 3 imperadores nesse hiato, até a posse de Vespasiano. Entre junho de 68 e dezembro de 69, Roma viu três imperadores ambiciosos subirem ao poder para serem depostos ou assassinados logo em seguida. Galba, Otho e Vitellius tentaram assumir o posto máximo, mas o futuro estava nas mãos dos bondosos imperadores flavianos.
    Galba, um imperador breve e instável
    Galba, um imperador breve e instável
    Os reais problemas começaram enquanto Nero ainda estava vivo. Suas atitudes favoreceram a ambição de Caius Julius Vindex a liderar uma rebelião para colocar o governador da Hispânia Tarraconensis, Servius Sulpicius Galba, no lugar de Nero. Embora tropas fiéis a Nero na Germânia tenham enfrentado, vencido e matado Vindex, o destino do imperador déspota já estava selado pelo Senado. Caiba foi aclamado imperador. O revés colocou em cheque os comandos dos territórios germânicos que, de uma hora para outra, tornaram-se traidores. Rufus, o comandante da legião germânica, foi retirado do cargo. A situação na Germânia tornou-se insustentável em pouco tempo e mesmo o novo governador Aulus Vitellius, aliado de Galba, não pôde conter a rebelião na Batávia.
    Vitélio, derrotado por uma conspiração
    Vitélio, autoritarismo derrotado
    Em Roma, Galba provou sertão instável emocionalmente quanto Nero. Seus primeiros atos como soberano foram contra várias benfeitorias anteriores. Promessas não-cumpridas e extorsões rapidamente fizeram de Caiba um imperador malvisto. A rebelião das legiões germânicas culminou na aclamação de Vitellius como imperador. Quando os rumores chegaram a Roma, Galba saiu em desespero pelas ruas convocando a população para ficar a seu lado. O erro foi ter iniciado precipitadamente sua linha sucessória nomeando Lucius Calpu Piso Licianus. Com isso, Marcus Salvius Otho aliou-se à Guarda Pretoriana. Galba foi assassinado no Fórum e, no mesmo dia Otho foi proclamado imperador pelos senadores.
    Otho, um reinado curto até o suicidio
    Otho, um reinado curto até o suicídio
    Pouco mais de três meses depois, Otho cometeu suicídio. Seu reinado foi curto porque Vitellius e as legiões da Germânia se dirigiam para Roma. Não eram apenas legiões romanas, mas as melhores e mais respeitadas de todas, com bastante poder político desde os tempos de Tibério. O máximo que Otho pôde fazer foi oferecer-se como pai adotivo de Vitellius. Otho não teve escolha a não ser acabar com a própria vida e deixar o caminho livre p novo imperador.
    Em pouquíssimo tempo, Vitellius mostrou-se um completo déspota. Esbanjando as riquezas de Roma com banquetes e comemorações em sua própria homenagem, passou a perseguir qualquer um que cobrasse as despesas e, com as finanças em crise e o juízo claramente afetado, ordenou a morte de credores, de rivais potenciais ao trono e até mesmo de pessoas que haviam colocado o nome do imperador em seus testamentos.
    Com tanto desmando em um tempo de delicado equilíbrio político, não demorou para que revoltas se consumassem, principalmente na Judéia, onde Vespasiano foi declarado imperador pelas legiões do Oriente Médio. As legiões do Danúbio tomaram o partido de Vespasiano e marcharam em direção à Itália, cercando a cidade. Vespasiano tomou a Síria e trouxe o Egito para o seu lado. Vitellius foi assassinado e Vespasiano nomeado imperador pelo Senado no dia seguinte, 21 de dezembro de 69.
  • AS 16 DATAS QUE MUDARAM O MUNDO: 2- A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO

  • O antes de 476 é a ficção da unidade do mundo romano, que se mantém vivo até então por meios artificiais e se torna cristão a partir do reino de Teodósio. O império do Ocidente só continua no lugar pela forte resistência do império do Oriente, mais sólido.
    O depois de 476, muito tempo após as grandes invasões, constitui a ruptura da unidade do mundo mediterrâneo com o desaparecimento definitivo do império romano do Ocidente. É também o aumento da intolerância religiosa em consequência do crescimento das primeiras heresias nos reinos bárbaros, que contribui para impedir a reconstituição de uma unidade.
  • Por que Ravena? Porque a cidade eterna não é mais segura, ela não garante mais a segurança da corte e do imperador. Roma foi tomada de assalto, pilhada durante três dias pelo chefe visigodo Alarico em 410. Desde então, a corte imperial mudou-se para o norte, antes de instalar-se em 404, com o imperador Honório, na pequena cidade de Ravena, atônita com tanta honra. De fato, a escolha de Ravena foi calculada para permitir à corte de fugir, em caso de perigo urgente, em direção a Constantinopla pelo mar.
    Os bárbaros que ameaçam o império do Ocidente vêm do norte e do leste da Europa, em uma grande migração de povos cavaleiros vindos das montanhas de Altaí, nos confins da China, e constantemente empurrados para o oeste pelo mais ofensivo de todos, os hunos.
    A fome os move, assim como as necessidades de pasto para os cavalos e os rebanhos. Eles foram, por muito tempo, mantidos afastados pelas muralhas romanas construídas ao longo do Reno e do Danúbio, o limes, mas, em 406, um impressionante deslocamento de povos, perseguidos pelos hunos, ultrapassou o Reno, em Mainz, para se precipitar sobre o império do Ocidente. No passado, Roma acolhia legalmente esses bárbaros estabelecendo com eles um acordo (foedus) para instalá-los nos territórios que precisavam de mão-de-obra, ou para engajá-los no exército. Mas, em 406, sem esperança de retorno e sem nenhuma permissão, é toda uma massa de povos que atravessa o rio. Não há, a partir de então, nenhuma fronteira protetora em torno do mundo romano.
    Os imperadores, desprovidos de soldados, não têm os meios para resistir. Os cidadãos romanos não querem mais combater, nem pagar impostos, nem mesmo exercer as funções administrativas. Os últimos imperadores são obrigados a engajar bárbaros, como Estilicão, para comandar seus exércitos, e esses generais escolhem seus homens entre os de sua nação.
    O poder escapa aos senhores do império. Nele, nas cidades e vilarejos, os bispos são os únicos herdeiros da administração de Roma, mas nos pagi, ou burgos rurais, os pagani (camponeses) rebeldes à religião católica não pagam mais impostos e não obedecem a mais ninguém. No exército, só se conta com os bárbaros. São os generais bárbaros que comandam a situação.
    Os imperadores sucedem-se no pequeno porto de Ravena, onde Augusto havia instalado uma parte da frota militar. A região pantanosa e isolada não pode ser alcançada sem riscos. Mas sobretudo o imperador e a corte podem ser retirados pelo mar. Ravena é um refúgio nauseabundo, infestado de mosquitos, o único lugar onde o império ainda pode ter continuidade. Nela são construídos palácios suntuosos e a basílica de São Vital, decorada de mosaicos brilhantes como se a corte imperial fosse ali residir durante séculos.
    Os chefes visigodos, mais tarde Átila, ousam pedir as filhas da família imperial como esposas. Os povos instalam-se com o estatuto de federados de Roma nas terras do império, mantêm suas leis, seus chefes, suas famílias. Eles exigem uma parte das terras e dos escravos para assegurar a subsistência. O império não existe mais. Estilicão, o chefe bárbaro dos exércitos romanos, instala o fraco imperador Honório em Ravena. Imperadores e chefes da milícia são constantemente degolados por mercenários pagos pelos rivais. Um chefe da milícia romana, Orestes, toma o poder pela força em 475 e instala seu próprio filho, Rômulo, no trono. Mas Orestes é, por sua vez, morto por Odoacro, o chefe dos mercenários bárbaros; este é, então, proclamado rei pelos seus soldados, considerando que o Império Romano do Ocidente não tem mais razão de existir.
    Na realidade os povos bárbaros já tinham tomado vastas regiões que eles haviam organizado em reinos. Assim, os alamanos na Alsácia, os burgúndios na Suíça e depois na Borgonha, os francos no norte da Gália, os visigodos no sudoeste e na Espanha, os ostrogodos na Itália e na Provença, os vândalos na África do Norte.
    O título de imperador do Ocidente perdia todo o sentido. Os bárbaros dispunham de terras e dominavam os vilarejos. Eles impunham seu direito, seus usos e costumes, e recusavam-se a obedecer à justiça de Roma. Exigiam das ricas romanas a distribuição de terras, para lhes assegurar sua proteção. Eles mesmos cobravam os impostos e engajavam os camponeses para os trabalhos. Tornaram-se, como Sidônio Apolinário, em Auvérnia, os co-proprietários da terra, cuja produção era a única riqueza naqueles tempos de isolamento e de insegurança e onde o comércio praticamente havia desaparecido.
    Eles não eram mais pagãos, mas cristãos convertidos ao arianismo; logo, inimigos da religião dos bispos de Roma, de quem eles saqueiam as igrejas, pilham os tesouros. Na Provença e em Toulouse, o godo Teodorico estabeleceu seu poder em vastas regiões, assegurando o culto ariano nas igrejas.
    Na África e na Espanha, Genserico, o Vândalo, de religião arianista, tornou-se o chefe levado pelo conde Bonifácio, um influente romano revoltado contra o imperador Valentiniano III. Santo Agostinho, escandalizado, tentara mostrar a Bonifácio o perigo de sua iniciativa, que entregava uma província inteira à heresia, mas era muito tarde. Bonifácio era incapaz de conter Genserico. Em Cartago, ele, que já havia se tornado rei, forçaria em 442 o imperador a reconhecer seu poder. Para, logo após, começar a perseguir os cristãos ortodoxos, exilando os padres, roubando os tesouros das igrejas.
    Chamado na Itália pela imperatriz Eudóxia para vingar o assassinato do imperador Valentiniano, ele disso se aproveitará para tomar e pilhar Roma em 455, para apoderar-se dos tesouros públicos e obrigar Eudóxia a se casar com seu filho Hunerico.
    Em 476, ele é o senhor da África, da Córsega, da Sardenha, da Sicília e das Baleares. Seu reino é reconhecido pelo imperador de Constantinopla.
    Neste momento, o imperador do Ocidente refugiado em Ravena não tem mais nenhuma autoridade. Rômulo, chamado, com desprezo, de Augústulo, o pequeno augusto, é o último dos imperadores romanos do Ocidente. Odoacro, chefe dos hérulos, ávido em tomar o poder, prende-o em uma vila da Campânia, com uma renda confortável. Assim, desaparece o último imperador que usava ao mesmo tempo o nome de fundador de Roma e o de fundador do império.
    As insígnias imperiais foram transportadas para Constantinopla, onde o império se manteve até 1453. Chamava-se doravante império bizantino, porque havia tomado o nome grego da capital, Bizâncio. Mas o império não representava nenhuma realidade no Ocidente. Os reinos bárbaros haviam ocupado seu lugar. O papa bispo de Roma era a única autoridade cristã ortodoxa que, na impossibilidade de combatê-los, pôde compactuar com os bárbaros.
    O que vem a seguir ao ano de 476 não é somente a decomposição do império no oeste, é antes de tudo o desencadeamento das primeiras guerras de religião. A oeste da Europa, os bárbaros vindos da Escandinávia, das planícies russas e da longínqua Sibéria estabelecem reinos e nem todos são pagãos; embora eles se considerem cristãos, são rejeitados pelos cristãos de religião romana. Na realidade, foram convertidos ao cristianismo por Ário, considerado pelos bispos de Roma como herético. Os papas, contra esses reis arianistas, estão, desse modo, constantemente em uma posição defensiva.
    Será necessário esperar o batismo de Clóvis para que a Igreja possa se apoiar no Ocidente em um primeiro reino cristão ortodoxo. Todos os outros eram hostis aos bispos e perseguidores de cristãos. As guerras mantidas por Clóvis a partir de sua conversão têm uma finalidade religiosa. Ele casou-se com uma princesa burgunda, Clotilde. Os burgúndios são arianistas; Clotilde, porém, é católica: sua influência e a dos bispos Avit e Remi levam-no a se converter. Clóvis torna-se assim, aos olhos do público católico, o único rei legítimo dos reinos bárbaros. “Vossa fé é a nossa vitória”, lhe escreve Avit, bispo na região burgúndia, em Viena.
    Os reis arianistas defendem-se, reagrupam-se em torno do ostrogodo Teodorico. Eles constituem uma liga contra Clóvis, que mantém uma campanha contra o exército burgúndio de seu sogro, a quem impõe um tributo, no ano 500. A vitória de Vouillé contra o visigodo Alarico II, em 507, permite-lhe dominar a Aquitânia, mas a Provença, nas mãos de Teodorico, resiste até o fim e proíbe ao franco chegar até o Mediterrâneo a leste do Reno. O imperador do Oriente, Atanásio, reconhece o reino de Clóvis e lhe dá os títulos romanos de patrício e de cônsul, como se ele fosse, entre todos os bárbaros, o único digno de suceder ao imperador do Ocidente.
    Clóvis reina da Bélgica aos Pireneus, mas o reino franco perde sua unidade com a morte de seu chefe. Seus quatro filhos, Thierry, Childerico, Clodomir e Clotário, o dividem entre si. Será necessário muito esforço ao mais ativo dos merovíngios, Dagoberto, para tentar restabelecer a unidade perdida e assentar a Igreja Católica em um Estado não contestado.
    A partir de 631, com a ajuda do ministro Elói, Clóvis começa a reconstituir o reino e conclui com o imperador de Bizâncio um tratado de amizade, pois Dagoberto é também um rei bastante cristão, que mantém contra os pagãos saxões e eslavos uma guerra implacável. Mas, com sua morte em 639, o reino católico é novamente desfeito pela divisão. Os reis merovíngios não souberam resolver o problema da sucessão. Depois de Dagoberto, os prefeitos do palácio governam e se engalfinham.
    Os soberanos bárbaros têm, todos, os olhos fixos no Oriente, como se o reconhecimento de seu Estado pelo imperador fosse um voto de solidez. Porém, o império do Ocidente não existe mais. A própria religião aceita pelos imperadores desde Constantino é ameaçada pelos bárbaros tornados heréticos, ou, como é o caso dos saxões, continuam pagãos. Um longo período de guerras e de desordens começa na Europa.
    O cristianismo consegue melhorar ligeiramente os costumes selvagens dos bárbaros. Mesmo se são batizados, eles usam os monastérios para enclausurar pela força seus rivais, matam-se alegremente entre si, e, para manter a unidade do reino, nunca hesitam diante de um assassinato político, nem mesmo Clóvis.
    As últimas invasões, as dos normandos na Gália e as dos lombardos na Itália, são as mais selvagens. Os normandos são pagãos e pilham sem remorsos as igrejas, de onde levam os tesouros. Eles encontraram, na Gália, os santuários ricos em doações feitas pelos fiéis, como São Martim de Tours, ou Poitiers, cidade da santa Radegonde. Suas expedições, ao longo dos rios, são razias destinadas a se apoderar dos objetos preciosos e do ouro doado aos santos pelos fiéis.
    Os lombardos não são menos selvagens. Meio pagãos, meio cristãos arianistas, eles atravessaram os Alpes em 568, sob a chefia do rei Alboin, para espalharem-se pela planície do Pó, e a saquearam. Eles instalaram-se em torno de Pávia e questionavam constantemente o poder e a independência do papa, mesmo este conseguindo convertê-los a partir do século VIL
    Os casamentos dos chefes bárbaros com princesas católicas influenciadas pelos bispos são então o melhor método de conversão. É necessário casar o rei Agilulf com uma princesa da Baviera, para que ele deixe batizar seus filhos. A política dos bispos é, então, a da conversão dos reis. Eles conseguem a do rei lombardo Liutprand e, na Normandia, a do chefe Rolando, que é batizado com o nome de Roberto e recebe em casamento a filha do rei franco, Carlos, o Simples. A conversão dos reis é então, num contexto de selvagens afrontamentos, onde a religião tem um papel dominante, a única carta do papa e dos bispos. Eles não são em nada protegidos por nenhum poder civil forte.
    Pequena Cronologia

    1. O papado
    • Fim do século I, aproximadamente em 96: Superioridade do bispo de Roma afirmada pela epístola de São Clemente à Igreja de Corinto.
    • Aproximadamente em 107: Testemunho de Santo Inácio de Antioquia.
    • Século II: Cipriano, bispo de Cartago, chama a Igreja romana de “a igreja principal, na qual se origina a unidade do sacerdócio”. Já é a confirmação do poder espiritual do bispo de Roma, que ostenta o nome de papa Cornélio.
    • 347: No Concílio de Sárdica, os bispos atribuem ao papa o direito de apelação sobre uma sentença mantida contra um bispo pelo sínodo de sua província. É o começo de uma justiça, logo de uma administração pontifícia.
    • 385: O papa Sirício publica o primeiro decreto afirmando que a lei da Igreja romana é válida, portanto aplicável para toda a cristandade.
    • 440-461: Leão, o Grande, negocia com Átila e com Genserico. 590-604: Papado de Gregório I, o Grande, chamado de o “cônsul de Deus”. Ele é o primeiro a se afastar do império do Oriente para afirmar seu poder espiritual e mesmo temporal contra os bárbaros do Ocidente. Ele negocia tratados e estabelece alianças como um soberano.
    • De uma família patrícia de Roma, filho de senador, ele tem experiência em administração imperial, tendo sido prefeito da cidade em torno de 573. Ele experimenta também um período de meditação religiosa quando se torna monge em seu palácio do monte Célio, que é transformado em monastério. O papa Pelágio II tira-o de seu refúgio para enviá-lo como núncio a Constantinopla. Ali ele constata a indiferença dos patriarcas e dos imperadores pelo destino da Igreja romana ameaçada pelos bárbaros. Ele compreende que a única solução para salvar a Igreja, quando é eleito papa em 590, é a conversão dos reis bárbaros.
    • Gregório I considera-se o chefe da Itália e negocia diretamente com os lombardos em 592. Ele estabelece relações com os outros reis bárbaros e principalmente com os francos. Considera-se um elo entre os chefes e seu tutor espiritual. Ele afirma a primazia do bispo de Roma, o Papa, sobre os patriarcas do Oriente e se atribui o título de servus servorum Dei (o servidor dos servidores de Deus). Assim, ele reforma os hábitos da Igreja e impõe aos monges regras estritas. O papa Gregório envia os beneditinos para evangelizar a Grã-Bretanha anglo-saxã. Ele é o verdadeiro primeiro papa a história.
    2. Os reinos bárbaros
    Os burgúndios
    • 443: Estabelecimento dos burgúndios arianistas no vale alto do Ródano, sob o comando de Gondebaud.
    • 461: Começo da expansão burgúndia. Eles criam um reino que vai da Champanhe até o Durance, das Cévennes até a Suíça.
    • 480: Gondebaud dá ao reino as primeiras leis bárbaras, conhecidas sob o nome de Lei Gombette.
    • 516: Eles se convertem ao cristianismo sob a influência de São Avit, fundador do monastério de São Maurício d’Aghaune, no Vaiais.
    • 534: Anexação do reino burgúndio ao reino franco, após a derrota do rei Gondemar II.
    Os vândalos
    • 406: Eles atravessam o Reno com os eslavos e os alanos, para invadir a Gália, e depois a Espanha.
    • 412: Os federados do imperador Honório lutam durante dez anos contra os visigodos.
    • 428: Vão para a África, conduzidos por seu rei Genserico.
    • 439: Tomada de Cartago. Os vândalos tornam-se então piratas temidos em todas as ilhas do Mediterrâneo ocidental.
    • 455. Pilhagem de Roma. Genserico leva como prisioneiras a viúva e as duas filhas do imperador Valentiniano III.
    • 477-484: Reino de Hunerico, o arianista. Perseguição dos católicos.
    • 533: O imperador do Oriente, Justiniano, envia o exército do general Belisário para o Magreb. Ele destrói o reino dos vândalos. A África do Norte volta a ser católica.
    Os visigodos e os ostrogodos
    • 376: Os godos do oeste (Wisigoths), arianizados por Ulfilas, pressionados pelos hunos, atravessam o Danúbio.
    • 378: Eles esmagam o exército imperial na batalha de Adrinopla e pilham os Bálcãs.
    • 395: Conduzidos por Alarico, atravessam a Grécia e depois a Itália.
    • 410: Tomada de Roma por Alarico.
    • 415: Conquista da Espanha e do sul da Gália pelos visigodos.
    • 418-451: Teodorico I cria a monarquia visigoda em Toulouse.
    • 507: Em Vouillé, Clóvis, o Católico, destrói a potência ariana visigoda na Gália.
    • 508: Teodorico, rei dos godos do leste (Ostrogoths), estabelece um reino no sul da Itália, na Provença e na costa dálmata.
    • 536-555: Os ostrogodos expulsos da Itália pelo exército bizantino.
    Os francos merovíngios
    • 457-481: Childerico I, filho de Meroveu, conduz seu povo da Bélgica até as margens do Somme.
    • 481-511: Seu filho Clóvis, primeiro bárbaro convertido ao catolicismo ortodoxo romano, vence os burgúndios e os visigodos e concretiza a união da Gália.
    • 629-639: Dagoberto reconstitui a união após a divisão do reino entre os filhos de Clóvis.
    • 680: O prefeito do palácio da Austrásia, Pepino de Herstal, reúne a Nêustria e a Austrásia em um único reino.
    • 751: O último merovíngio, Childerico III, é deposto pelo primeiro carolíngio, Pepino, o Breve.

     O ÚLTIMO DIA EM POMPÉIA

  • O poderoso Vesúvio ainda é um ameaçador vulcão ativo localizado na costa oeste italiana. O terror associado ao vulcão não se restringe a seu potencial destrutivo, que pode afetar pequenas cidades próximas ou a metrópole Nápoles, mas também a uma história conhecida e trágica que é a famigerada erupção do ano 79 da Era Cristã que devastou Pompéia, que mal se recuperava de outro desastre natural 17 anos antes, quando um terremoto sacudiu a cidade.
    Essa interessante reconstituição digital do desastre de Pompéia foi produzida para uma exibição no Museu de Melbourne, na Austrália, e mostra a evolução da destruição a partir de um a perspectiva virtual na própria cidade. Em menos de 10 minutos acompanhe horas da evolução arrasadora da erupção do Vesúvio.

    Misteriosa estrutura reside no fundo do Mar da Galiléia

  • Em 2013, arqueólogos descobriram uma gigante estrutura de pedra no fundo do Mar da Galiléia, em Israel, e até hoje ela os intriga, que não sabem dizer ao certo qual era a sua finalidade ou quando foi erguida.
    Feita de basalto e pedras brutas, a estrutura possui uma forma de cone e pesa até 60 mil toneladas, de acordo com os cientistas. Para se ter uma ideia, é mais pesada do que a maioria dos navios de guerra da atualidade. A estrutura possui 10 metros de altura e um diâmetro de 70 metros.Mistérios do Mundo
  • Os arqueólogos afirmam que a estrutura parece ser composta por várias rochas empilhadas uma sobre a outra. Estruturas como essa são conhecidas em várias partes do mundo e são geralmente utilizadas durante enterros. No entanto, os pesquisadores não sabem explicar se a estrutura do Mar da Galiléia foi criada para tal propósito.
    Há relatos da estrutura desde 2003, quando foi feita uma pesquisa de sonar na região. Mas foi só nos últimos anos que mergulhadores vem investigandoA estrutura foi certamente construída pelo homem, segundo os pesquisadores, afirmando que não há qualquer possibilidade que a erosão tenha moldado a estrutura dessa forma. Provavelmente, ela foi construída em terra, mas foi submersa quando as águas do Mar da Galiléia subiram.
    Arqueólogos ainda não puderam datar a estrutura, tampouco encontraram quaisquer artefatos que poderiam ajudar em tal tarefa. Yitzhak Paz, da Universidade Ben-Gurion, acredita que a estrutura possui mais de 4.000 anos. “A possibilidade mais lógica é que ela pertence ao terceiro milênio aC, porque existem outras estruturas megalíticas [da época] que são encontradas por perto”.
    Uma das estruturas megalíticas próximas é o sítio Khirbet Beteiha, localizado a apenas 30 km da estrutura submersa.
    De fato, os pesquisadores acreditam que a estrutura estava localizada ao norte de uma antiga cidade chamada Bet Yerah. Essa era uma das mais poderosas e fortificadas cidades da região na época, comportando até 5.000 habitantes em 30 hectares.
    “O esforço investido em tal estrutura é indicativo de uma sociedade bem organizada e complexa, com habilidades de planejamento e capacidade econômica”, escreveram os pesquisadores no estudo. 
  • A história do Antigo Egito tem seu início por volta do ano 3.100 a.C., época da unificação do Alto e do Baixo Egito. E tem o seu final no ano 30 a.C. quando a rainha Cleópatra VII foi derrotada na Batalha de Ácio. Depois desta batalha o que chamamos de Antigo Egito tem o seu fim, pois o Egito se transformou em uma província romana.
    Nestes três mil anos de história, o Antigo Egito nos revelou uma cultura ímpar, uma religião que ainda é estudada e praticada por muitos esotéricos, a crença na vida após a morte, a arquitetura com seus palácios, pirâmides, templos e cidades. Mas esta história ainda tem muito a ser entendida e descoberta. Arqueólogos de todo o mundo continuam a explorar este legado, pessoas de todo o mundo visitam as maravilhas do Antigo Egito, e o fascínio de estudiosos e pessoas leigas continua o mesmo. Bom, focaremos agora a história destes três mil anos. Voltamos agora no tempo, há mais de cinco mil anos atrás...
    Unificação do Alto e do Baixo Egito. O começo de uma civilização histórica.
    Ano: 3.100 a.C.
    Como já dito, o Antigo Egito como conhecemos começou com a unificação do Alto e Baixo Egito. Engana-se se você pensou que foi tudo tranquilo. Esta unificação teve trabalho intenso dos líderes de ambos lados.
    Narmer e os Faraós seguintes casavam-se com princesas do Baixo Egito, afim de mostrar a união entre os dois reinos. A intenção não era passar uma superioridade e sim mostrar que a unificação era possível, e que o Egito seria mais forte com a unificação, porém mesmo com todo esse esforço, a 1ª dinastia ficou longe de estar totalmente pacificada. O primeiro faraó da 2ª dinastia cujo nome de Hórus é Hetepsekhemui e significa “os dois poderes estão em paz”, reafirma o momento tumultuado que o fim da 1ª dinastia sofreu e mostra a vontade do Faraó em acalmar os ânimos da população.
    Mesmo com o esforço de alguns em tentar soluções pacíficas houveram outros que fizeram frente as regiões. Peribsen, Faraó da 2ª dinastia, na tentativa de acabar com a rivalidade entre o Alto e o Baixo Egito ou indo contra esta ideia, em uma tentativa de mostrar o poder do Alto Egito (há muitas divergências dos estudiosos sobre a sua real intenção), escolheu o Deus Seth ao invés de Hórus, e nas representações de seu nome, usou o animal associado a Seth (deus do Alto Egito), abolindo totalmente o até então principal Deus Hórus. Vale aqui ressaltar que Hórus mesmo sendo o Deus do Baixo Egito, foi escolhido por Narmer como divindade, muito provavelmente afim de mostrar que realmente a unificação seria uma união entre ambos os lados.
    O Faraó Khasekhemui foi o sucessor de Peribsen e pouco se sabe sobre a sua vida, mas foi o único faraó da história a ter os dois deuses Hórus e Seth em seu Serekh. Sendo essa, mais uma tentativa em mostrar ao povo a unificação.
    Serekh é uma figura basicamente retangular que representava a fachada do palácio real e que, no seu interior, continha o(s) hieróglifo(s) do seu nome, e era encimado por um falcão hórico. Esta foto representa uma estela pertencente ao faraó Raneb da II dinastia, 
  • Depois da morte de Khasekhemui, o Deus Seth foi retirado de seus Serekhs, sendo Hórus novamente a divindade principal. Seth, de modo geral começava a ser visto como um Deus maligno, o que é explicado com a associação das inúmeras mortes necessárias para a unificação. Durando um longo período, a união entre o Baixo e o Alto Egito passou por uma instabilidade política na 7ª dinastia, onde diversos reis assumiram o poder em um espaço curto de tempo.

  • A História do Antigo Egito dividida em 31 dinastias:
    Estudiosos dividiram os 3.000 anos de história do Antigo Egito em 31 dinastias (uma dinastia é formada por uma sucessão de governantes com laços de sangue).
    A cronologia egípcia está em constante modificação devido as novas descobertas que são realizadas (tanto arqueológicas, como tecnológicas). Em alguns períodos, suas datas são aproximadas e com as publicações de grandes egiptólogos (vide referências), montamos a lista abaixo. Geralmente para realizar o cálculo dos anos, fontes antigas como a Lista Real de Abydos e o Papiro Real de Turim são de suma importância. A maioria dos nomes possuem mais de uma forma de escrita (transliterados, gregos...).
    Todas as datas são a.C e a margem de erro é dentro de um século mais ou menos por volta de 3000 a.C e dentro de duas décadas cerca de 1300 a.C. As datas são precisas a partir de 664 a.C. (WILKINSON, 2010, p.09)
    Assim seguiremos o nosso estudo geral sobre o Antigo Egito:Primeira Dinastia do Antigo Egito:
    Começou com a unificação do Alto Egito com o Baixo Egito. Formava-se, assim, um reino que ia da primeira catarata em Assuão até ao Delta do Nilo, ao longo deste rio.
    Os registros históricos desta época são escassos, reduzindo-se a alguns monumentos e alguns objetos que ostentam o nome dos governantes. A chamada "paleta de Narmer" (fotos abaixo) é, sem dúvida, destes objetos, o mais importante e mais discutido. Uma das razões para esta falta de documentação deve-se ao fato da escrita estar, então, em desenvolvimento, não existindo na forma acabada, os hieróglifos que conhecemos hoje.
    Grandes túmulos reais em Abidos, Naqada e Saqqara, juntamente com os cemitérios em Helouan, perto de Mênfis (Menphis), revelam estruturas construídas em grande parte de madeira e tijolo de adobe. A pedra era, parcamente, utilizada no revestimento de paredes e do chão. A pedra era aplicada essencialmente na manufatura de ornamentos, recipientes e estátuas.
    A fundação de Menphis, primeira cidade real é atribuída a Narmer (Menés). Pouco se sabe sobre Narmer e seus descendentes, além de sua descendência divina e do desenvolvimento de um sistema social complexo.  Patrocinaram as artes e construíram muitos edifícios públicos. De Menphis, o terceiro e o quinto rei da Primeira Dinastia, que se estendeu de 3100 até 2890 a.C., se prepararam para conquistar o Sinai.  Durante a Primeira Dinastia a cultura se tornou incrivelmente refinada.
    Cronologia da Primeira Dinastia em ordem cronológica:
    1. Nome do Faraó: Narmer ou Menés.  Data: 3200 – 3150 a.C. Comentário: 1º Unificador do Baixo e do Alto Egito
    2. Nome do Faraó: Hor-Aha.  Data: 3150 – 3100 a.C.              
    3. Nome do Faraó: Djer.  Data: 3100 – 3055 a.C.              
    4. Nome do Faraó: Djet ou Uadji.  Data: 3055 – 3050 a.C.              
    5. Nome do Faraó: Merneith  Data: 3050 - 3045 a.C.  Comentário: Merineit, Merneit, Merneith ou MerytNeith ("Amada de Neith") foi possivelmente esposa do faraó Djet e mãe de Den. É considerada por alguns pesquisadores como a primeira rainha dirigente do Antigo Egito, durante a minoridade de seu filho Den. Encontrou-se uma rastro com seu nome num túmulo em Umm el Qaab em Abidos. Seu nome também foi encontrado num selo no túmulo T de Umm el Qaab, com as dos monarcas da I Dinastia. É possível que ali tenha sido sepultada, ainda que se acharam restos de sua mastaba em Saqqara. Em 1900, William Petrie descobriu o túmulo Merneith e, devido à sua natureza, acreditava que pertencia a um faraó até então desconhecido. O túmulo foi escavado e mostrou conter uma grande câmara subterrânea, revestida com tijolos de barro, com pelo menos 40 túmulos subsidiários.
    6. Nome do Faraó: Den ou Udimu.  Data: 3045 – 2995 a.C.  Comentário: Primeiro a usar o título de Rei do Alto e Baixo Egito
    7. Nome do Faraó: Anedjib ou Adjib.  Data: 2995 – 2969 a.C.              
    8. Nome do Faraó: Semerkhet.  Data: 2969 – 2960 a.C.              
    9. Nome do Faraó: Qa’a ou Kaa.  Data: 2960 – 2926 a.C. Comentário: Possuía uma tumba em Abydos. Provavelmente teve um longo governo.
    10. Segunda Dinastia do Antigo Egito:
      A Segunda dinastia de faraós do Egito pertence à Época Tinita. A Época Tinita ou Período Arcaico refere-se a um período da história do Egito Antigo que inclui as primeira e segunda dinastias (ditas tinitas), datando de cerca de 3100 a.C. (após o período pré-dinástico) até cerca de 2686 a.C., quando se inicia o Antigo Império.
      De todas as dinastias, a história e cronologia da 2 ª Dinastia estão entre as mais difíceis de entender. Isto é causado pela falta de fontes coerentes, em si, provavelmente o resultado de uma situação política difícil.
      Quanto aos nomes dos faraós, vários nomes só são encontrados ou no Baixo Egito, ou no Alto Egito, que poderia, talvez, significar que, pelo menos por algum tempo durante a Segunda Dinastia, o Egito foi dividido em dois reinos, como havia sido no passado, como vimos no início de nossa pesquisa.
      O Horus Hotepsekhemwi ou Hotepsekhemui,  é geralmente aceito por egiptólogos como sendo o primeiro rei da Segunda Dinastia.
      O nome do Hotepsekhemwi significa "os dois poderosos estão em paz", ficando a indicação de que este faraó conseguiu reunificar o Egito, após alguma turbulência ocorrida no final da Primeira Dinastia. Deve-se, no entanto, notar que o nome de Hotepsekhemwi foi encontrado na entrada do túmulo de Horus Qa'a, o último rei da Primeira Dinastia, não só uma indicação de que Hotepsekhemwi enterrou Qa'a e deve, portanto, ter sido o seu sucessor, mas também que ele tomou este nome na parte inicial de seu reinado. Isso parece contradizer que Hotepsekhemwi teria herdado um país dividido.
      A sucessão dos três primeiros reis da Segunda Dinastia é encontrado na parte de trás do ombro direito da estátua de um sacerdote chamado Hotepdief como se segue: Hotepsekhemwi, Nebre e Ninetjer. Veja nas imagens:
      Estes três reis tinham túmulos em Saqqara, a necrópole de Mênfis.
      Algumas impressões de selos encontrados no túmulo do Hotepsekhemwi mencionando Nebre, levaram alguns pesquisadores a pensar que Nebre poderia ter usurpado o túmulo de seu antecessor. Contra isso, deve-se notar que a presença do nome de Nebre no túmulo de Hotepsekhemwi pode igualmente significar que Nebre enterrou seu antecessor ou que ele não tinha motivos para inspecioná-lo em algum lugar durante o seu reinado.
      A mudança do cemitério real de Umm el-Qa'ab no Médio Egito, onde os reis da primeira Dinastia foram sepultados, para Saqqara, representa uma mudança importante na tradição, mas as fontes arqueológicas escassas não nos permitem compreender o seu significado político e religioso histórico. Este movimento foi, provavelmente, relacionada com a importância crescente de Memphis, embora não está claro o que era causa e o que é efeito.
      Igualmente importantes são as mudanças no design dos túmulos reais e o fato de que a prática do sacrifício foi abandonada. Enquanto os túmulos da Primeira Dinastia foram mais uma coleção de quartos cortados no chão, os túmulos reais conhecidos do início da Segunda Dinastia consistia em longos corredores cavados no chão, com várias salas de armazenamento estreitos à esquerda e à direita deles. No final do corredor, situava-se a câmara funerária. Esta estrutura foi presumivelmente coberta com uma superestrutura de tijolos.
      Durante o reinado de Hotepsekhemwi, uma forma primitiva do deus solar, chamado Netjer-akhti, que significa "o deus do horizonte" foi adorado. O nome do sucessor de Hotepsekhemwi, Nebre, que significa "Re (o sol) é o mestre", pode demonstrar o apoio da nova dinastia do deus solar, cujo culto estava centrado em Heliópolis, a nordeste de Memphis.
      Há vários indícios de um colapso da autoridade central no final do reinado do terceiro rei desta dinastia, Ninetjer. Antes a ordem foi restabelecida sob uma única regra no final da dinastia, o país parece ter sido governado por uma série de reinados não totalmente aceitos, onde estes faraós poderiam ter governado apenas partes do país.
      O sucessor imediato de Ninetjer é conhecido apenas por seu nome Nebti, “Weneg”. Este nome só foi encontrado em Saqqara, o que provavelmente significa que Weneg só detinha o poder sobre o norte do Egito.
      O segundo nome mencionado após Ninetjer, Sened, não é conhecido através de quaisquer fontes contemporâneas. As mais antigas fontes conhecidas citam este nome são datadas da Quarta Dinastia. Uma das fontes, encontrada no túmulo de um homem chamado Sheri, refere-se a um culto mortuário para Sened em Saqqara.
      A mesma fonte também sugere uma ligação entre o culto de Sened e de Peribsen, um rei da Segunda Dinastia, que só é atestada no sul do Egito. Isto poderia significar que Sened e Peribsen ou eram a mesma pessoa, ou que cada um deles governou uma parte do país, ao mesmo tempo e que a divisão do Egito naquela época era pacífica.
      O nome Peribsen não foi encontrado fora do sul do Egito. Ele é o único rei conhecido cujo nome oficial refere-se ao deus Seth em vez de Horus. A mudança é significativa porque não representa apenas uma pausa de importação com o passado, mas também porque, na tradição religiosa posterior, os dois deuses eram, por vezes, considerados como adversários. Isso pode indicar uma mudança na ideologia real, ou ele pode ter sido o resultado da divisão do Egito em dois territórios.
      Mesmo que Peribsen teve seu culto funerário em Saqqara, ao menos a partir da Quarta Dinastia, ele foi enterrado no cemitério real da Primeira Dinastia de Umm el-Qa'ab.
      Um nome estreitamente relacionado com Peribsen é o de Sekhemib Hórus. Impressões de selos com este nome foram encontrados na entrada do túmulo de Peribsen. Como foi o caso com Hotepsekhemwi e Qa'a, isso provavelmente significa que Sekhemib viu com os últimos ritos de Peribsen, tornando-o o sucessor de Peribsen. Há, no entanto, muitos egiptólogos, que tendem a acreditar que Peribsen provavelmente reinou como Horus Sekhemib e depois, por razões desconhecidas, mudou seu nome para Seth Peribsen.
      O último rei da Segunda Dinastia começou seu reinado como Horus Khasekhem. Porque este nome só é confirmado pelo Hierakonpolis, no sul do Egito, acreditava-se que Khasekhem só governou esta parte do país. Inscrições a partir de seu ponto de reinado para rebeliões e guerra contra um "inimigo do norte". Se este "inimigo do norte" podem ser tomadas para ser localizada no Egito, é possível que Khasekhem, durante a relação entre os dois reinos, havia tomado um rumo para a guerra.
      A guerra de Khasekhem acabaria por voltar a unir o Egito sob um único reino, momento em que o Horus Khasekhem mudou seu nome para Horus, Seth Khasekhemwi. Este nome combina o tradicional com Horus Seth Peribsen. Como ambos Peribsen e Khasekhemwi tinha um túmulo em Umm el-Qa'ab, é muito improvável que Peribsen era o "inimigo do norte" que as inscrições se referem.
      O nome de Khasehemwi é modelado após o nome do fundador da dinastia, Hotepsekhemwi e significa "os dois poderosos surgiram", para a qual a adição "os dois senhores estão em paz dentro de si" também sugere a re-unificação de uma dividido país. Isto é confirmado pelo fato de que o nome de Khasekhemwi foi encontrado em todo o país, o primeiro rei desde Ninetjer para quem este tem sido o caso.
    11. Cronologia da Segunda Dinastia em ordem cronológica:
      1. Nome do Faraó: Hotepsekhemwi/ Hotepsekhemui.  Data: 2926 – 2888 a.C. Comentário: Em seu reinado deixa-se de usar as tabuletas epônimas da I Dinastia.
      2. Nome do Faraó: Raneb ou Nebré.  Data: 2887 – 2848 a.C. Comentário: Primeiro faraó a utilizar o nome Rá no nome.              
      3. Nome do Faraó: Ninetjer ou Neterimu.  Data: 2847 – 2800 a.C.   Comentário: No seu reinado ficou decidido que as mulheres poderiam exercer o poder real. 
      4. Nome do Faraó: Weneg.  Data: 2799 – 2792 a.C.  Comentário: Começam as crises dinásticas e lutas internas.             
      5. Nome do Faraó: Senedj.  Data: 2791 – 2781 a.C.   Comentário: O Egito volta a se dividir em nomos independentes.
      6. Nome do Faraó: Peribsen.  Data: 2753 – 2727 a.C.  Comentário: Utiliza em seu Serekh o animal que simboliza Seth.
      7. Nome do Faraó: Khasekhemui.  Data: 2714 – 2687 a.C.   Comentário: Sufoca outra rebelião de forma sangrenta. Consolidação definitiva da unificação egípcia.Terceira Dinastia do Antigo Egito:
        Junto com a Terceira Dinastia iniciou-se o chamado Império Antigo. O Império Antigo é um período de 500 anos que engloba a Terceira, Quarta, Quinta e Sexta Dinastias.Neste período ocorreu um incrível avanço nas artes, tecnologia e arquitetura egípcia. Neste período de 500 anos é que surgiram as primeiras pirâmides, destacamos as pirâmides de Djoser (Pirâmide de degraus), Seneferu (Pirâmide de Meidum, Pirâmide Romboidal e Pirâmide Vermelha), Quéops (Pirâmide de Quéops), Quéfren (Pirâmide de Quéfren e a Esfinge de Guizé) e Miquerinos (Pirâmide de Miquerinos).
        Pirâmide de Djoser (também conhecida como a Pirâmide de Degraus)

        Estátua do Faraó Djoser
        Estátua do Faraó Huni
        Relevo fragmentado de Sanakht, encontrado no Sinai. Ele mostra o rei, usando a Coroa Vermelha, na pose tradicional de matar um inimigo.
        Pirâmide de Meidum, construída pelo Faraó Huni (o último da Terceira Dinastia).
        A Terceira Dinastia é a primeira dinastia do Império Antigo, sua capital era a cidade de Menfis. É muito difícil nos dias de hoje, ter uma cronologia exata para o reinado dos seus faraós. Além disso, em relação especialmente ao Faraó Nebka (Sanakht) não está ainda claro que posição deve ocupar nesta dinastia, se primeira ou quarta; também não se sabe se seriam a mesma pessoa ou pessoas diferentes. Muitos egiptólogos contemporâneos acreditam que Djoser na realizada foi o primeiro e não o segundo rei dessa dinastia.
        Cronologia da Terceira Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Sanakht ou Nebka.  Data: 2686 – 2667 a.C. Comentário: Restabelece a situação no país.
        2. Nome do Faraó: Djoser.  Data: 2667 – 2648 a.C. Comentário: Erige o primeiro grande complexo funerário, em pedra, com a Pirâmide Escalonada de Saqqara, projetada por seu vizir Imhotep.              
        3. Nome do Faraó: Sekhemkhet.  Data: 2648 – 2640 a.C.   Comentário: Inicia a construção de um novo complexo funerário em Saqqara. 
        4. Nome do Faraó: Khaba.  Data: 2640 – 2637 a.C.  Comentário: A ele se atribui a pirâmide estratificada inacabada em Zawyet el-Aryan.             
        5. Nome do Faraó: Huni.  Data: 2637 – 2613 a.C.   Comentário: Atribui-se a ele a construção da pirâmide de Meidum.
        Quarta Dinastia do Antigo Egito:
        A IV dinastia egípcia foi a segunda das quatro dinastias que formaram o Império Antigo. É caracterizada como uma " idade de ouro "do Império Antigo (neste período ocorreu um incrível avanço nas artes, tecnologia e arquitetura egípcia. Neste período de 500 anos é que surgiram as primeiras pirâmides). A IV dinastia durou do ano de 2613 a.C. a 2495 a.C. Foi um momento de paz e prosperidade no Egito, bem como está documentado o comércio com outros países.
        Durante esta dinastia, as grandes pirâmides de Gizé foram construídas pelos seus mais notáveis reis, Khufu (Quéops), Kafre (ou Quéfren) e Menkara (Miquerinos). A maior de todas, a de Quéops, mede cerca de 146 metros de altura.
        As três grandes pirâmides de Gizé.
        Por dentro da grande pirâmide de Quéops.
        Faraó Quéops.
        Cronologia da Quarta Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Seneferu ou Snefru.  Data: 2613 – 2589 a.C. Comentário: Era pai de Quéops. Constrói as grandes pirâmides de Dashur, termina a de Meidum e várias menores. Expedições bélicas contra a Núbia e a Líbia.
        2. Nome do Faraó: Queóps ou Khufu.  Data: 2589 – 2566 a.C. Comentário: A ele é creditado a construção da Grande Pirâmide de Gizé e do complexo funerário anexo.              
        3. Nome do Faraó: Djedefre ou Redjedef.  Data: 2566 – 2558 a.C.   Comentário: Atribuem-no a pirâmide inacabada de Abu Roash. Primeiro faraó da dinastia a usar Rá em seu nome.             
        4. Nome do Faraó: Quéfren ou Khaf-re.  Data: 2558 – 2532 a.C.   Comentário: Construiu a segunda maior Pirâmide e a esfinge de Gizé.
        5. Nome do Faraó: Baka ou Bikare.  Data: 2532 – 2528 a.C.  Comentário: Filho mais velho de Djedefre. Atribuem-no uma pirâmide inacabada em Zawyet el-Aryan.
        6. Nome do Faraó: Miquerinos ou Menkauré.  Data: 2528 – 2500 a.C.   Comentário: Atribuem-no o complexo funerário e a terceira pirâmide de Gizé. Cresce o poder e a influência do clero de Rá.
        7. Nome do Faraó: Chepseskaf.   Data: 2500 - 2495 a.C.   Comentário: Conflito com os sacerdotes de Rá. Abandonam-se os símbolos solares funerários. Grande mastaba no sul de Saqqara. 
        Quinta Dinastia do Antigo Egito:
        A Quinta dinastia de faraós do Egito foi a terceira das quatro dinastias que formaram o Império Antigo. No Império Antigo do Antigo Egito ocorreu um incrível avanço nas artes, tecnologia e arquitetura egípcia. Neste período de 500 anos é que surgiram as primeiras pirâmides. A quinta dinastia faraônica foi um período turbulento. Existem vários indícios de inquietação de natureza religiosa, política e econômica.
        A nobreza começava a ameaçar a hegemonia monárquica. Antes da Quinta Dinastia o faraó era considerado Deus, porém agora, ainda deus, era considerado filho encarnado de Rá, o deus sol e a mais importante divindade egípcia. Cada vez que Rá e seus sacerdotes subiam de importância, o poder do "rei-deus" diminuía. Depois vieram os problemas econômicos, pois o Egito pagou alto preço para a construção das pirâmides, sendo também oneroso mantê-las.
        Faraó Userkaf
        Faraó Neferefré
        Estátuas de faraós da 5ª Dinastia. Local: Museu do Louvre
        Cronologia da Quinta Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Userkaf.  Data: 2493 – 2486 a.C. Comentário: Chegou ao poder com a ajuda dos sacerdotes de Heliópolis, e ordenou doar muitas terras e bens ao clero. Primeiro faraó a erigir um templo solar. Primeiras relações com os povos do Egeu.
        2. Nome do Faraó: Sahura ou Sahure.  Data: 2486 – 2474 a.C. Comentário: Manteve uma ativa relação comercial e diplomática com o Oriente Próximo.   
        3. Nome do Faraó: Neferirkaré.  Data: 2474 – 2454 a.C.   Comentário: Patrocinou, de forma excludente, o culto solar.             
        4. Nome do Faraó: Chepseskaré.  Data: 2454 – 2447 a.C.   Comentário: Parece não existir vínculos familiares entre ele e o resto da dinastia.
        5. Nome do Faraó: Neferefré ou Raneferef.  Data: 2447 – 2444 a.C. Comentário: Inicia a colonização do Sinai e da Baixa Núbia.
        6. Nome do Faraó: Niuserré ou Nyuserre Ini.  Data: 2444 – 2420 a.C.   Comentário: O culto solar alcança seu clímax.
        7. Nome do Faraó: Menkauhor.   Data: 2420 - 2413 a.C.   Comentário: Descentralização administrativa. 
        8. Nome do Faraó: Djedkara Isesi ou Djedkaré Isesi.  Data: 2413 - 2374 a.C.   Comentário: Criou o cargo de vizir do Sul para o Alto Egito. Composição das Máximas de Ptahotep.
        9. Nome do Faraó: Unas ou Wenis.  Data: 2374 - 2344 a.C.   Comentário: Surgem os Textos das Pirâmides. Prosseguiu a política de relações com Biblos e Kush.
        Sexta Dinastia do Antigo Egito:
        A VI dinastia egípcia é a última dinastia do Império Antigo, precedendo um período de decadência política e social a que se denomina Primeiro Período Intermediário. Durante a sexta dinastia a capital do Egito continuou sendo a cidade de Mênfis.
        A cronologia da VI dinastia varia de acordo com os pesquisadores. Josep Padró situa-a entre 2345 e 2173 a.C.; Jürgen von Beckerath entre 2322 e 2191 e Jaromir Malek entre 2311 e 2140.
        De uma forma geral, considera-se que a VI dinastia teve sete reis, entre eles uma mulher, a rainha Nitócris. No que diz respeito a estes monarcas, todos estão atestados por evidências arqueológicas, com exceção de Merenrê II e Nitócris que apenas são referidos nas listas reais.
        O primeiro rei da VI dinastia foi Teti, cuja esposa, Iput, seria uma filha do último rei da V dinastia, Unas. Um dos reis mais importantes desta dinastia, Pepi II, teve um dos reinados mais longos da história do Antigo Egito, 94 anos.
        Foi precisamente durante o reinado de Pepi II que se verificou um processo de desagregação do poder real que já se tinha manifestado na época da V dinastia. Os cargos de alto funcionário passaram a ser transmitidos de forma hereditária em vez de ser o rei a nomear esses funcionários. Os nomarcas (governadores dos nomos, ou seja, províncias) tornaram-se senhores absolutos das suas regiões, tomando título reservados à administração central, como o de vizir. Ao mesmo tempo alguns templos adquiriram um estatuto de imunidade graças ao qual se libertavam da obediência à administração central e ao pagamento de impostos. Outro fator que se julga ter contribuído para a decadência do Egito foi a mudança climática.

        Arte e arquitetura:
        A nível da arte e da cultura mantém-se os mesmos padrões da dinastia precedente. Os reis continuaram a tradição de mandar construir pirâmides para servirem como os seus túmulos (embora numa dimensão inferior às da IV dinastia, época de glória da construção piramidal) enquadradas num complexo funerário onde se incluíam o templo do vale e o templo funerário. A necrópole escolhida pela maioria dos reis da VI dinastia foi Saqqara. A construção de templos solares, realizada pelos reis da V dinastia, não foi continuada.

        Economia:
        Os contatos comerciais do Egito com regiões como Biblos e o Punt, de onde vinham produtos exóticos, permaneceram ativos. A exploração mineira também continuou, nomeadamente as minas de cobre e turquesa de Uadi Maghara, no Sinai (reinados de Djedkaré Isesi, Pepi I e Pepi II), bem como a exploração do alabastro em Hatnub (reinados de Teti, Pepi I e Pepi II). Aprofundou-se penetração egípcia na Núbia, tendo os principados da região de Dongola caído sob influência egípcia. É a partir da VI dinastia que se começam a empregar Núbios como mercenários no exército e nos corpos de vigilância fronteiriços.
        Faraó Pepi I
        Estatueta de Pepi II no colo de sua mãe Ankhnesmeriré II. Local: Museu do Brooklyn.
        Cidade de Saqqara. 
        Antiga cidade de Mênfis.
        Cronologia da Sexta Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Teti.  Data: 2344 – 2323 a.C. Comentário: Continuou a política de seus antecessores. Os monarcas adquirem prerrogativas próprias do faraó.
        2. Nome do Faraó: Userkaré.  Data: 2323 – 2321 a.C. Comentário: Possível usurpador.   
        3. Nome do Faraó: Pepi I.  Data: 2321 – 2287 a.C.   Comentário: Soberano enérgico e empreendedor, último grande rei do Antigo Reino, eficaz guerreiro e construtor.             
        4. Nome do Faraó: Merenrê I.  Data: 2287 – 2278 a.C.   Comentário: Continua a política expansionista na Núbia e realiza expedições ao Punt.
        5. Nome do Faraó: Pepi II.  Data: 2278 – 2184 a.C.  Comentário: Seu longo reinado, o maior da história egípcia, provocou a decadência do poder real e a ascensão dos monarcas.
        6. Nome do Faraó: Merenrê II.  Data: 2184 – 2184 a.C.   Comentário: O culto solar alcança o seu clímax.
        7. Nome do Faraó: Nitekreti ou Nitócris.   Data: 2184 - 2182 a.C.   Comentário: Primeira mulher-faraó conhecida nas listas reais, descrita como a mais bela e nobre da época. Sua existência ainda é incerta.
        Sétima Dinastia do Antigo Egito:
        Esta Dinastia assim como a próxima, possuem poucas informações, tanto que o que reina mesmo nesta época no Antigo Egito era a incerteza.
        A VII dinastia egípcia é a primeira do período denominado "Primeiro Período Intermediário", que foi uma época em que o poder do Egito estava descentralizado.
        Esta dinastia juntamente com a VIII teve diversos faraós efêmeros durante um período de grande caos na administração geral daquele país. A maioria dos governantes conhecidos desta época chegaram ao nosso tempo através do Papiro de Turim e da Lista Real de Abidos.
        Símbolo de Netjerkare (primeiro faraó desta dinastia)
        Símbolo de Menkare (segundo faraó desta dinastia)
        Cronologia da Sétima Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Netjerkare ou Netjerikare.  Data: ?? a.C. Comentário: Consta na Lista Real de Abydos*.
        2. Nome do Faraó: Menkare.  Data: ?? a.C. Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos.   
        3. Nome do Faraó: Neferkare II.  Data: ?? a.C.   Comentário: Consta na Lista Real de Abydos.             
        4. Nome do Faraó: Neferkare III Neby I.  Data: ?? a.C. Comentário: Possivelmente filho de Pepi II (VI Dinastia) e da rainha Ankhesenpepi II.
        5. Nome do Faraó: Djedkare Shemai.  Data: ?? a.C.  Comentário: Consta na Lista Real de Abydos.
        6. Nome do Faraó: Neferkare IV Khendu.  Data: ?? a.C.   Comentário: Consta na Lista Real de Abydos.
        7. Nome do Faraó: Merenhor.  Data: ?? a.C.
        8. Nome do Faraó: Neferkamin I.  Data: ?? a.C.
        9. Nome do Faraó: Nykare I. Data: ?? a.C.  Comentário: Consta na Lista Real de Abydos.
        10. Nome do Faraó: Neferkare V Tereru.  Data: ?? a.C.  Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos.
        11. Nome do Faraó: Neferkahor. Data: ?? a.C.  Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos.
        *O que é a Lista Real de Abydos (Abidos) ??
        Lista Real de Abido é a designação dada a uma lista existente numa parede de um corredor do templo de Seti I em Abidos, na qual foram gravados 76 nomes de faraós que governaram o Antigo Egipto. A lista inicia-se com Menés e termina no próprio Seti I.
        Foi descoberta em 1864 por Augusto Mariette. Através desta lista Seti I pretendia homanagear os seus antepassados. É possível ver o faraó, acompanhado pelo seu filho Ramsés II, a realizar oferendas às cartelas onde se encontram gravados os nomes dos faraós. Veja a foto abaixo!
        Oitava Dinastia do Antigo Egito:
        A VIII dinastia do Antigo Egito está inserida no período chamado "Primeiro Período Intermediário", que foi uma época de incertezas e mudanças, em que o poder do Egito estava descentralizado.
        Esta dinastia assim como a anterior (sétima dinastia) teve diversos faraós efêmeros durante um período de grande caos no governo de forma geral. A maioria dos faraós desta época são conhecidos por nós por causa do Papiro de Turim*(Turim Canon) e através da Lista Real de Abydos.
        Cronologia da Oitava Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Neferkare VI Papiseneb.  Data: 2165 a.C. à 2161 a.C. Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos e no Cânon de Turim.
        2. Nome do Faraó: Neferkamin II Anu.  Data: 2161 a.C. à 2159 a.C.  Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos e no Cânon de Turim.   
        3. Nome do Faraó: Qakare Ibi.  Data: 2159 a.C. à 2155 a.C.  Comentário: Mencionado na Lista Real de Abidos, no Cânon de Turim e em grafitos na Núbia. Foi enterrado em Saqqara.             
        4. Nome do Faraó: Neferkaure.  Data: 2155 a.C. à 2154 a.C.   Comentário: Mencionado na Lista real de Abydos.
        5. Nome do Faraó: Neferkauhor Khwiwihepu.  Data: 2154 a.C. à 2153 a.C. Comentário: A filha mais velha do rei se casa com o vizir do Alto Egito, chamado Shemai.
        6. Nome do Faraó: Neferirkare II.  Data: 2153 a.C. à 2152 a.C.  Comentário: Mencionado na Lista Real de Abydos.
        7. Nome do Faraó: Sekhemkare. Data: 2152 a.C. à ?? a.C.   Comentário: Mencionado no Papiro Berlin 10523.
        8. Nome do Faraó: Wadjikare II.  Data: ?? a.C.  Comentário: É cultuado pelo povo após a sua morte.
        9. Nome do Faraó: Iti. Data: ?? a.C. 
        10. Nome do Faraó: Imhotep.   Data: ?? a.C.
        11. Nome do Faraó: Hotep.  Data: ?? a.C.
        12. Nome do Faraó: Khwi.  Data: ?? a.C.  Comentário: Governante local no centro do Egito.
        13. Nome do Faraó: Isu.  Data: ?? a.C.  Comentário: Nome mencionado em um grafito.
        14. Nome do Faraó: Iitjenu.  Data: ?? a.C.
        * O que é o Papiro de Turim?
        O Papiro de Turim ou Cânone Real de Turim, também conhecido como Lista de Reis de Turim ou Papiro Real de Turim, é um papiro com textos em escrita hierática, custodiado no Museu Egípcio de Turim, ao qual deve o seu nome.
        O texto está datado na época de Ramsés II (embora possa ter sido escrito posteriormente) e menciona os nomes dos faraós que reinaram no Antigo Egito, precedidos pelos deuses que "governaram" antes da época faraónica.
        O papiro, de dimensão 170 cm por 41 cm, consta de uns 160 fragmentos, a maioria muito pequenos, faltando muitos pedaços.
        O texto:
        O papiro contém de um lado uma lista de nomes de pessoas e instituições, no que parece ser una estimação de tributos. No entanto, é o outro lado do papiro que suscitou a maior atenção, pois contém uma lista de deuses, semideuses, espíritos, reis míticos e humanos que governaram o Egito, presumivelmente desde o principio dos tempos até à época de composição deste inestimável documento.
        O principio e o final da lista perderam-se, o que significa que não temos a introdução da lista (se houve tal introdução) e a relação dos reis que houve depois da XVII dinastia.
        O papiro cita nomes de governantes, agrupando-os por vezes e dá a duração do governo de alguns destes grupos, que correspondem, em geral, ao resumo das dinastias de Manetão. Mostra ainda em anos, meses e dias a duração do reinado de muitos faraós.
        Tem ainda os nomes de governantes efémeros, ou mandatários de pequenos territórios, que apenas se conhecem aqui, pois geralmente estão omitidos noutros documentos. A lista inclui os governantes Hicsos, normalmente excluídos de outras listas de reis, e embora os seus nomes não estejam escritos dentro de um cartucho, juntou-se o texto hieroglífico Heqa Jasut para indicar que eram governantes estrangeiros.
        Veja foto: 
        Nona Dinastia do Antigo Egito:
        A nona (IX) dinastia do Antigo Egito, assim a anterior, está inserida no confuso período denominado "Primeiro Período Intermediário". Devido aos poucos conhecimentos que dispomos desta época, alguns estudiosos acreditam que algumas dinastias (a nona, décima e décima primeira) estavam sendo governadas ao mesmo tempo, enquanto outros dizem que isso é um engano.
        Esta e a décima dinastia são também conhecidas por dinastias heracleopolitanas, pois tiveram como capital a cidade de Heracleópolis.
        Os faraós inventaram o Hockey ?
        Cronologia da Nona (IX) Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Kheti I , ou Aktoés.  Data: ?? a.C. Comentário: Fixou residência em Heracleópolis
        2. Nome do Faraó: Merikare I.  Data: ?? a.C.   
        3. Nome do Faraó: Neferkare VII.  Data: ?? a.C.             
        4. Nome do Faraó: Kheti II.  Data: ?? a.C. 
        5. Nome do Faraó: Kheti III.  Data: ?? a.C.  Comentário: A filha mais velha do rei se casa com o vizir do Alto Egito, chamado Shemai.
        6. Nome do Faraó: Kheti IV.  Data: ?? a.C. 
        Décima Dinastia do Antigo Egito:
        Na Nona e na Décima Dinastia, durante um período de tempo, líderes começaram a dominar em várias regiões.
        Destaque para o Faraó Kheti vindo da cidade de Herakleopolis que durante um certo tempo governou o Egito. Segundo alguns egiptólogos, nessa época o Egito foi novamente dividido em dois: o Sul tinha como centro político Tebas e o Norte a cidade de Herakleopolis.
        A décima dinastia do Antigo Egito está inserida no período "Primeiro Período Intermediário", que foi uma época em que o Egito estava dividido, e segundo alguns especialistas, sendo governado ao mesmo tempo pelas IX, X e XI dinastias.
        Os faraós da IX e X dinastias confundem-se e não se sabe ao certo qual faraó pertence a qual dinastia.
        Cronologia da Décima Dinastia em ordem cronológica:
        1. Nome do Faraó: Kheti V.  Data: ?? a.C. 
        2. Nome do Faraó: Kheti VI.  Data: ?? a.C.    
        3. Nome do Faraó: Kheti VII.  Data: ?? a.C.              
        4. Nome do Faraó: Merikare II.  Data: ?? a.C. 
        XI - Décima Primeira Dinastia do Antigo Egito:
        A Décima Primeira Dinastia do Antigo Egito engloba o fim do Primeiro Período Intermediário e o começo do Império Médio. Segundo BAINES (2004), alguns faraós governaram por TEBAS na divisão e outros governaram o Egito já re-unificado.
        Nesta Dinastia a ordem e organização administrativa começam a se normalizar com a reunificação do Egito. Mas sempre leve em consideração que as datas, nomes e quantidade de faraós divergem de um egiptólogo a outro. Lembre-se, as datas são precisas a partir de 664 a.C
      8. Descobertas Arqueológicas
        O Assassinato
        de Tutankhamon
        O Assassinato
        de Tutankhamon
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        O Assassinato
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        O Assassinato
        de Tutankhamon

        Com a publicação de seu livro intitulado O Assassinato de Tutancâmon, o egiptólogo norte-americano Bob Brier deu início a uma grande polêmica. Segundo a obra, cuja primeira edição é de 1999, o faraó adolescente, que reinou aproximadamente entre 1333 e 1323 a.C., teria sido assassinado ou por seu sucessor Aya (c. 1323 a 1319 a.C.), ou pelo general Haremhab, que reinaria um pouco mais tarde, aproximadamente entre 1319 e 1307 a.C., ou por ambos mancomunados. Para desmentir ou, quem sabe, confirmar essa tese, os arqueólogos egípcios resolveram examinar detalhadamente a múmia de Tutankhamon. Em novembro de 2004 foram iniciados os testes para descobrir as doenças que afetaram o faraó, que ferimentos recebera, em que idade falecera e, principalmente, se morrera naturalmente ou se fora assassinado. No dia cinco de janeiro de 2005 a múmia, que vemos nas fotos acima e que normalmente permanece fechada na tumba dentro de um sarcófago de pedra, foi transportada para um veículo especial estacionado na frente do túmulo e submetida a tomografias computadorizadas, as quais produziram visões tridimensionais do corpo. O procedimento durou cerca de 15 minutos, durante os quais foram obtidas 1700 imagens.Na última vez em que o caixão havia sido aberto, em 1968, uma radiografia revelara um pedaço de osso solto dentro do crânio, o que alimentou a especulação de que um golpe na cabeça pudesse ter matado o rei. Mas esse antigo exame não era suficientemente sofisticado para determinar se o fragmento de osso significava mesmo um golpe na cabeça, ou apenas um manuseio inadequado do cadáver durante a mumificação. Naquela ocasião o professor R. G. Harrison, da Universidade de Liverpoll, que realizou o exame, não encontrou qualquer evidência de doença e sugeriu pela primeira vez a hipótese de crime. Ele verificou que muitos dos ossos estavam quebrados e em sua opinião isso ocorrera antes da morte do faraó. Sua conclusão foi a de que um sumo sacerdote de Akhenaton (c. 1353 a 1335 a.C.), chamado Pa-Nehesy, havia matado o jovem depois de acusá-lo de blasfêmia e heresia. Em 1992, um escritor egípcio chamado Ahmed Osman examinou as radiografias antigas e afirmou que Tutankhamon havia sido enforcado. Em seu livro Bob Brier argumenta que as radiografias revelaram uma mancha densa na parte de trás do crânio, a qual é devida, provavelmente, a um hematoma sub-dural crônico resultante de uma pancada.
        Infelizmente a múmia foi dividida em pedaços quando de sua descoberta em 1922. Foram usadas ferramentas cortantes para remover a máscara de ouro do rei de seu rosto, já que ela estava presa firmemente ao corpo pela resina usada na mumificação. A cabeça foi separada do pescoço, mas apesar disso ainda se encontra bem preservada atualmente e conserva as feições do rosto. A remoção das jóias e ornamentos funerários, feita naquela ocasião, causou a fratura da pélvis e a separação dos braços e pernas do tronco. Facas aquecidas e barras de ferro foram introduzidas no corpo para remoção dos amuletos que o decoravam. Além disso, a múmia foi exposta ao fortíssimo sol egípcio na tentativa de derreter a matéria viscosa, o que lhe causou sérios prejuízos. Ao final, Carter e sua equipe reconstruíram o corpo desmembrado, arrumaram-no cuidadosamete numa caixa de madeira usada anteriormente para transporte de açucar e uniram novamente as mãos e os pés aos membros com resina. Os dedos das mãos ficaram espalhados na caixa e, em 1968, os técnicos passaram horas e horas tentando solucionar o enígma e recolocando cada um deles em sua posição original. Um dos problemas dessa situação é que os danos causados na múmia em 1922 são difíceis de serem distinguidos de eventuais danos causados durante a vida do faraó ou durante o processo de mumificação.
        Antes de realizarem os atuais exames, médicos avaliaram criticamente as radiografias do crânio e da espinha cervical do faraó, tiradas no passado, e opinaram que elas não dão suporte às teorias propostas de morte homicida ou, sequer, traumática. A observação revelou uma curvatura anormal da espinha e a fusão das vértebras superiores. Essa é uma condição associada com escoliose e uma enfermidade rara chamada síndrome de Klippel-Feil, a qual faz com que os que a sofrem pareçam ter pescoço curto. A doença, que também vem associada a anomalias dos rins, coração e sistema nervoso, poderia ter deixado o rei muito frágil e sujeito a risco de dano fatal na espinha dorsal por um simples empurrão ou uma pequena queda. Cerca de 130 bengalas achadas na tumba de Tutankhamon apoiariam, sem trocadilho, a teoria de que ele teria precisado de um ajuda para se manter em pé ou caminhar. Também é provável que ele tivesse outros problemas congênitos, além daquela síndrome, os quais teriam afetado sua aparência e sua saúde em geral.
        Nem todos os pesquisadores acreditam que a tecnologia possa ajudar na solução do mistério sobre a morte do faraó menino. Carter Lupton, um egiptólogo que trabalha no Milwaukee Public Museum, nos Estados Unidos, e que tem usado tomografias computadorizadas em múmias há muito tempo, não tem certeza de que o modo como Tutankhamon morreu possa ser revelado por tal tecnologia. Afinal, existem centenas de maneiras pelas quais se pode morrer e nem todas elas podem ser detectadas por um equipamento eletrônico. Se Tutankhamon, por exemplo, tiver sido envenenado, a tecnologia provavelmente não acusará e Lupton é cético quanto a possibilidade dos exames determinarem a real causa da morte do faraó. Ainda que não se encontre qualquer sinal de ferimento na parte posterior do crânio, como aquele causado por uma violenta pancada criminosa, isso não significa que ele não tenha sido assassinado.
        Controvércias à parte, em março de 2005 foi divulgado o resultado dos estudos. As conclusões foram as seguintes:
        • O faraó não morreu de forma violenta.
        • Não há provas de que ele tenha sofrido um trauma na cabeça.
        • Nenhuma evidência foi encontrada que pudesse esclarecer definitivamente a causa da morte, como uma infecção ou uma doença crônica, por exemplo.
        • O osso da coxa esquerda estava quebrado e isso pode ter levado o rapaz à morte.
        • Um assassinato por formas não violentas, como veneno por exemplo, não poderia ser detectado através da tecnologia empregada para o exame da múmia.
        Com relação à fratura na perna, as opiniões dos especialistas se dividiram. Alguns consideram que ela pode ter representado um sério dano, que talvez tenha se transformado em uma ferida aberta e levado a uma infecção mortal. Outros, porém, acham que se trata apenas de mais um dos maus tratos infringidos à múmia pela equipe de Carter, já que não existe hematoma no local, o que ocorreria se o ferimento tivesse sido feito em vida. A existência das várias bengalas no túmulo — que poderia ser indício da necessidade que o faraó teria de se apoiar por ter fraturado a perna — também não prova nada, pois os antigos egípcios apreciavam muito apoiar-se em bengalas e as usavam frequentemente. Quanto ao fragmento de osso existente dentro do crânio, descoberto em 1968, se concluiu que ali está por um dano causado após a morte, uma vez que não há evidência dele ter sido envolvido com o fluido de embalsamamento. A curvatura anormal da espinha do rei é o resultado da posição na qual os embalsamadores colocaram a múmia. Outros pontos examinados foram a existência de ossos quebrados no tórax e o formato alongado do crânio. Quanto aos ossos, a conclusão foi a de que foram quebrados após a morte; quanto à cabeça, ainda está dentro de padrões normais apesar da aparência.De modo geral, os exames demonstraram que Tutankhamon era um jovem bem alimentado e saudável, com cerca de um metro e setenta centímetros de altura, e que teria entre 18 e 20 anos quando morreu. A julgar pelos ossos, ele sempre gozou de boa saúde, não sofreu de desnutrição ou de doença infecciosa quando criança. Embora seus dentes estivessem relativamente em boa forma, ele tinha uma pequena rachadura em seu palato duro, a parte óssea superior da boca, mas isso, provavelmente, não deve ter afetado sua aparência. Seus dentes inferiores eram ligeiramente mal alinhados e ele tinha incisivos dianteiros grandes e a arcada dentária superior mais saliente que a inferior, característica dos reis de sua linhagem. Alguns proponentes da teoria de assassinato sugeriram que o embalsamamento fora mal feito e às pressas. Os especialistas, ao contrário, detectaram a presença de cinco materiais diferentes no processo, denotando que a múmia foi embalsamada sem pressa e cuidadosamente. Apesar de não se poder afastar a hipótese da existêcia de manobras conspiratórias envolvendo a morte do jovem faraó, também é possível que ele tenha morrido em virtude de um acidente com uma biga, ou na prática de algum esporte, ou, ainda, numa batalha. O mistério vai permanecer, talvez para sempre

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